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06 de March de 2026

Filho é preso por descumprir medida protetiva e ameaçar mãe idosa

Presidente Prudente
23/01/2026 08:11
Redacao
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Presidente Prudente (SP) foi palco, na noite da última quinta-feira (22/1), de um grave incidente de violência doméstica que resultou na prisão em flagrante de um homem de 59 anos. Ele é acusado de ameaçar sua própria mãe, uma idosa de 84 anos, e, de forma reincidente, descumprir medidas protetivas de urgência previamente determinadas pela Justiça. O caso, que evidencia a vulnerabilidade de vítimas idosas, sublinha a importância da rigorosa aplicação das leis de proteção e a necessidade de atenção contínua às denúncias de descumprimento de ordens judiciais.

A ação policial teve início após um acionamento feito por uma oficial de Justiça que necessitava de apoio para dar ciência ao investigado sobre a decisão judicial. Esta medida de proteção, crucial em casos de violência familiar, determinava o afastamento do homem do lar e a proibição de aproximação da vítima, estipulando uma distância mínima de 200 metros entre eles, com o objetivo de resguardar a integridade física e psicológica da idosa.

De acordo com o boletim de ocorrência detalhado, a oficial de Justiça, acompanhada de policiais militares, dirigiu-se à residência localizada no Parque São Judas Tadeu. O objetivo era notificar o homem sobre a ordem judicial que o obrigava a se afastar do domicílio e de sua mãe. Após ser devidamente notificado e ciente das determinações, o acusado deixou o imóvel, afirmando não possuir quaisquer pertences a serem retirados do local. Aparentemente, a situação estava resolvida, mas a tranquilidade durou pouco.

Cerca de uma hora após sua saída, a Polícia Militar foi novamente acionada, indicando que o homem havia retornado à residência, agindo em total desrespeito à medida protetiva em Presidente Prudente. Os policiais o encontraram no quintal, em uma tentativa forçada de entrar no imóvel, desobedecendo reiteradamente as ordens legais. Diante da recusa em acatar as determinações policiais e a clara violação da ordem judicial, foi necessário o uso de algemas para contê-lo e garantir a segurança da vítima e dos agentes públicos.

Ameaças de morte

A vítima, uma aposentada de 84 anos, estava trancada dentro de casa, vivenciando momentos de terror e temor pela própria vida. Ela relatou aos policiais que, ao retornar, seu filho proferiu ameaças de morte, expressando intenção de vingança e afirmando que a mataria. Este depoimento chocante revela a gravidade da situação e o profundo estado de vulnerabilidade em que a idosa se encontrava. A Polícia Civil de Presidente Prudente iniciou uma investigação aprofundada sobre o caso.

Ainda segundo o relato da aposentada, o autor é usuário de álcool e drogas, condição que, conforme seu testemunho, intensifica seu comportamento agressivo. Ela afirmou que é frequentemente ameaçada por ele, que tenta, inclusive, expulsá-la de sua própria residência. Esse histórico de coerção e tentativas de desapropriação torna o descumprimento da medida protetiva ainda mais alarmante, demonstrando um padrão de abuso contínuo e a urgência na intervenção judicial.

A neta da vítima, que também testemunhou os fatos, corroborou integralmente a versão apresentada pela avó e pelos policiais. Ela confirmou que o homem retornou ao imóvel logo após a saída das autoridades e passou a ameaçar a idosa, o que motivou um novo chamado à polícia. O depoimento da testemunha foi crucial para fortalecer as evidências contra o acusado e garantir a credibilidade das alegações da vítima.

Conduzido à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Presidente Prudente, o investigado foi interrogado e, em sua defesa, negou as acusações. Ele alegou que não teria retornado à residência e que estaria em um bar no momento dos fatos. Contudo, apesar de sua negativa, a autoridade policial, diante dos depoimentos colhidos e dos elementos apresentados, decretou a prisão em flagrante, reconhecendo a materialidade do crime de descumprimento de medida protetiva e as ameaças proferidas.

Prisão preventiva

A Polícia Civil representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, uma medida mais rigorosa que visa assegurar a ordem pública e a integridade da vítima. A solicitação baseia-se na gravidade da conduta do acusado, na reincidência no descumprimento da ordem judicial e, principalmente, no risco à integridade física e psíquica da vítima, que, por sua idade avançada, possui uma vulnerabilidade acentuada. O caso segue sob análise da Justiça, aguardando a decisão sobre a manutenção ou não da prisão preventiva. [LINK INTERNO: Confira outras notícias sobre a atuação da DDM em Presidente Prudente]

O incidente em Presidente Prudente lança luz sobre um problema social complexo e muitas vezes velado: a violência doméstica contra pessoas idosas. No Brasil, essa forma de abuso, que pode ser física, psicológica, financeira, de negligência ou abandono, atinge uma parcela significativa da população com mais de 60 anos. Os agressores frequentemente são membros da própria família, o que torna a denúncia e a intervenção ainda mais delicadas, dada a dependência emocional e, por vezes, financeira da vítima em relação ao perpetrador.

Especialistas apontam que a violência contra idosos é subnotificada, seja pelo medo da retaliação, pela vergonha, ou pela dificuldade de acesso aos canais de denúncia. A idade avançada e eventuais condições de saúde podem limitar a capacidade da vítima de buscar ajuda, tornando a atuação de terceiros, como a neta no caso de Presidente Prudente, fundamental. A legislação brasileira prevê a proteção do idoso, mas a efetividade dessas normas depende da conscientização da sociedade e da pronta resposta dos órgãos de segurança e justiça.

Medidas protetivas

As medidas protetivas de urgência são instrumentos legais criados para salvaguardar vítimas de violência doméstica e familiar, garantindo sua segurança imediata. Originadas principalmente pela Lei Maria da Penha, mas aplicáveis a outras situações de vulnerabilidade, como no caso de idosos, elas podem incluir o afastamento do agressor do lar, a proibição de contato com a vítima e seus familiares, e outras restrições. O descumprimento dessas medidas, como o ocorrido em Presidente Prudente, é um crime previsto em lei, punível com pena de detenção de três meses a dois anos, reforçando a seriedade de sua aplicação e a necessidade de que sejam respeitadas.

O caso em questão ressalta não apenas a importância de conceder tais medidas, mas também de monitorar seu cumprimento e agir prontamente diante de qualquer violação. A reincidência, como observado pelo pedido de prisão preventiva, é um fator agravante que demonstra a persistência do risco à vítima e a necessidade de uma resposta judicial mais contundente para coibir novas agressões e garantir a proteção efetiva dos direitos fundamentais da pessoa idosa. Saiba mais sobre as medidas protetivas no site do Ministério Público de São Paulo.

Este lamentável episódio em Presidente Prudente serve como um alerta para a sociedade sobre a persistência da violência doméstica e a crucial importância de se denunciar, seja a vítima diretamente ou por meio de terceiros. A intervenção das autoridades é vital para que a justiça seja feita e, principalmente, para que a integridade e a dignidade das pessoas idosas sejam integralmente protegidas, garantindo-lhes o direito a uma vida livre de medo e agressão. A Justiça segue acompanhando o caso para os devidos procedimentos legais.

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