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03 de October de 2026

Oeste Paulista: internações por transtornos mentais aumentam quase 30%

Presidente Prudente
03/10/2026 08:32
Redacao

As internações por transtornos mentais e comportamentais no Sistema Único de Saúde (SUS) registraram um aumento significativo de quase 30% em Presidente Prudente, no Oeste Paulista, nos últimos cinco anos. Os dados, compilados pelo Ministério da Saúde, revelam um cenário que demanda atenção e análise aprofundada sobre a saúde mental na região.

Entre janeiro e julho de 2021, a cidade contabilizou 495 internações por condições psíquicas. Comparativamente, no mesmo período de 2026, esse número saltou para 632, representando um acréscimo de 137 registros. Esse aumento, que totaliza 27,7%, sublinha a crescente demanda por cuidados hospitalares nessa área.

Crescimento expressivo

Os números são fornecidos pelo Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) e abrangem uma vasta gama de diagnósticos. Incluem desde transtornos decorrentes do uso de álcool e outras substâncias psicoativas até diversas outras condições mentais e comportamentais, refletindo a complexidade do panorama da saúde mental.

A elevação dos índices de internação, observada ao longo do quinquênio, convida a uma reflexão sobre os fatores que contribuem para essa realidade. Especialistas da área sugerem que múltiplos elementos podem estar em jogo, desde mudanças sociais até a própria estrutura de atendimento.

Em entrevista à TV TEM, o psiquiatra Heliomar Pavão apontou que o crescimento registrado pode estar intrinsecamente ligado à ampliação do acesso da população aos serviços de saúde mental. A desmistificação em torno das doenças psíquicas também desempenha um papel crucial, incentivando mais pessoas a buscar ajuda.

Heliomar Pavão destacou que, historicamente, a doença mental era percebida como algo obscuro e distante, dificultando o diálogo e a procura por tratamento. A mudança cultural e a maior conscientização têm contribuído para que os indivíduos se sintam mais à vontade para expressar seu sofrimento e buscar apoio especializado.

Essa maior disposição em procurar auxílio é um fator relevante, pois indica uma evolução na percepção pública sobre a saúde mental, que gradualmente deixa de ser um tabu para ser vista como uma parte integrante do bem-estar geral de um indivíduo.

Rede ampliada

A ampliação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) representa um marco importante nesse cenário. Com a expansão de serviços como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), pronto-atendimento e canais de apoio emocional, a oferta de cuidado se tornou mais robusta e acessível à população.

O psiquiatra citou o Centro de Valorização da Vida (CVV) como um exemplo de canal de apoio emocional que complementa a rede formal. Esses recursos são essenciais para oferecer suporte imediato e orientação a quem precisa, muitas vezes prevenindo a necessidade de internação.

A existência de uma rede diversificada e integrada, que inclui desde a atenção primária até serviços especializados, é fundamental para garantir que as pessoas em sofrimento psíquico recebam o cuidado adequado em diferentes fases e níveis de complexidade. Saiba mais sobre o SUS: <a href="https://www.saude.gov.br/" target="_blank" rel="noopener">Ministério da Saúde</a>.

A melhoria no acesso à busca por ajuda, portanto, não é apenas um reflexo da coragem individual, mas também do investimento e da estruturação de políticas públicas voltadas para a saúde mental. A capacidade de acolhimento desses serviços tem sido vital para a população local.

Tais iniciativas corroboram a ideia de que a saúde mental deve ser tratada com a mesma seriedade que a saúde física, garantindo recursos e infraestrutura para atender às necessidades emergentes da sociedade. Para informações sobre saúde mental, acesse: <a href="https://www.paho.org/pt/topicos/saude-mental" target="_blank" rel="noopener">Organização Pan-Americana da Saúde</a>.

Oscilações anuais

O levantamento detalhado revela que o número de internações não seguiu uma trajetória linear de crescimento. Houve uma queda entre 2021 e 2022, quando os registros passaram de 495 para 467. Essa redução momentânea pode indicar variações sazonais ou fatores específicos daquele ano.

Contudo, a tendência de alta se restabeleceu a partir de 2023, com 577 internações. Em 2024, o número subiu para 617 e, em 2025, atingiu o pico de 652 registros, marcando o maior patamar dentro do período analisado, evidenciando uma retomada do crescimento.

Nos primeiros sete meses de 2026, foram registradas 632 internações, o que representa uma leve redução de 3,1% em comparação ao mesmo período de 2025. Apesar dessa queda pontual, o índice geral permanece 27,7% acima do contabilizado em 2021, consolidando o panorama de expansão.

Ao considerar o somatório de internações nos primeiros sete meses de cada ano, entre 2021 e 2026, Presidente Prudente acumulou um total de 3.440 internações por transtornos mentais e comportamentais. Este número reforça a urgência em fortalecer a atenção contínua à saúde psíquica.

Esses dados são cruciais para a formulação de estratégias de saúde pública e para a alocação de recursos, garantindo que a infraestrutura e os profissionais estejam preparados para atender à demanda crescente. A análise temporal oferece uma base sólida para futuras intervenções e planejamento estratégico.

Sinais de alerta

Além da busca por atendimento profissional, o papel de familiares e pessoas próximas é fundamental na identificação de sinais que indiquem a necessidade de ajuda. A observação atenta pode ser a porta de entrada para um tratamento eficaz e para a prevenção de quadros mais graves.

O psiquiatra Heliomar Pavão ressalta que não existe uma alteração de comportamento isolada que, por si só, defina um transtorno ou indique uma situação de risco. A atenção deve estar voltada para mudanças significativas em relação ao comportamento habitual da pessoa, indicando que algo pode não estar bem.

Entre os exemplos citados pelo médico estão indivíduos que abandonam atividades que antes faziam parte de sua rotina. Uma pessoa extrovertida que se torna repentinamente quieta, ou alguém que perde o interesse em hobbies e rotinas previamente apreciados, deve gerar preocupação e atenção dos entes queridos.

As alterações comportamentais, especialmente aquelas em que a pessoa se isola, se fecha e se torna mais intimista, são alertas que a família deve monitorar de perto. Essas mudanças podem ser indicadores de sofrimento psíquico, exigindo um olhar cuidadoso e, se necessário, a busca por avaliação profissional.

O apoio familiar e social é um pilar crucial na recuperação de indivíduos com transtornos mentais. A compreensão, a escuta ativa e o incentivo à procura de ajuda são atitudes que podem fazer a diferença na trajetória de tratamento e na qualidade de vida do paciente. Leia também: <a href="https://www.seudominio.com.br/importancia-rede-apoio" target="_blank" rel="noopener">A importância da rede de apoio para a saúde mental</a>.

Impacto social

Em setembro, a região de Presidente Prudente foi palco de ocorrências que evidenciaram a urgência de acompanhamento adequado para pessoas em intenso sofrimento psíquico. Esses casos trágicos sublinham as consequências severas da falta de suporte ou da desassistência.

Um incidente marcante envolveu uma mulher que, segundo investigações, levou seus três filhos a uma represa e tentou afogá-los. Tragicamente, a bebê de 10 meses faleceu, enquanto os outros dois filhos, de 7 e 9 anos, sobreviveram à tentativa. A complexidade do caso chocou a comunidade local.

A Justiça, em audiência de custódia, converteu a prisão em flagrante da mulher em internação provisória, reconhecendo a possível necessidade de tratamento psiquiátrico. A Delegacia de Polícia de Investigações sobre Homicídios de Presidente Prudente é responsável pela apuração do caso.

Informações apresentadas na investigação pelo pai das crianças revelaram que a mulher sofria de transtornos mentais e havia passado por internação recentemente. Este detalhe realça a necessidade de um acompanhamento contínuo e eficaz após a alta hospitalar para prevenir recaídas e eventos trágicos.

O Conselho Tutelar, ciente da situação, também acompanha o caso, reforçando a importância de uma abordagem multidisciplinar e integrada para proteger crianças em contextos de vulnerabilidade e garantir o bem-estar de todos os envolvidos. Leia também: <a href="https://www.seudominio.com.br/saude-mental-infantojuvenil" target="_blank" rel="noopener">Problemas de saúde mental entre crianças e adolescentes preocupam especialistas</a>.

Os dados de Presidente Prudente não são apenas números; eles representam vidas impactadas, famílias em busca de apoio e um sistema de saúde que se adapta a novas demandas. O aumento das internações por transtornos mentais serve como um poderoso lembrete da importância vital de investir continuamente em saúde mental, tanto em infraestrutura quanto em conscientização.

É imperativo que a sociedade continue a desmistificar a doença mental e a promover ambientes onde a busca por ajuda seja encorajada e acessível. Somente assim será possível construir uma comunidade mais saudável, resiliente e preparada para enfrentar os desafios do bem-estar psíquico.



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