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14 de July de 2026

O desafio da transferência: 180 jabutis permanecem em praça de Adamantina

Presidente Prudente
14/07/2026 08:30
Redacao
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Centenas de jabutis-piranga (<i>Chelonoidis carbonarius</i>), uma espécie nativa das regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil, permanecem na Praça Euclides Romanini, em Adamantina, no interior de São Paulo. Esses animais, cuja população chegou a 250 indivíduos em um ambiente urbano inadequado, são fruto de solturas irregulares e reprodução descontrolada, gerando um complexo desafio ambiental e logístico para as autoridades.

Até o momento, 70 espécimes já foram transferidos para o Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres de São Paulo (Cetras-SP), uma operação que demandou uma intrincada coordenação entre órgãos ambientais de diferentes estados. No entanto, 180 jabutis ainda aguardam a destinação adequada, sem uma previsão clara para sua remoção definitiva da praça. A situação destaca a urgência de soluções e a complexidade envolvida na gestão da fauna silvestre em contextos urbanos.

Logística complexa

A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) de São Paulo descreve a operação como de alta complexidade. Para que o Cetras-SP pudesse acolher o primeiro lote de 70 jabutis de Adamantina, foi necessário primeiro abrir espaço na unidade. Isso foi feito com a transferência de outros 80 jabutis já reabilitados para a Reserva Santa Sofia, localizada no Mato Grosso do Sul, evidenciando a interdependência entre as instituições e a necessidade de planejamento antecipado.

O manejo desses animais é considerado fundamental, pois os jabutis-piranga na praça de Adamantina estão fora de sua área de ocorrência natural. A exposição a um ambiente urbano não oferece as condições adequadas para a espécie, comprometendo seu bem-estar e sua capacidade de sobrevivência a longo prazo. A destinação final, frequentemente, envolve processos de repatriação para as regiões de origem da espécie, onde podem ser reintegrados aos seus ecossistemas naturais.

O processo no Cetras-SP, conforme detalhado pela Semil por meio da Diretoria de Biodiversidade e Biotecnologia (DBB), é rigoroso. Após o ingresso, os animais passam por avaliação clínica, exames sanitários, identificação individual e acompanhamento veterinário contínuo. Tais procedimentos são cruciais para definir a destinação mais adequada para cada exemplar, garantindo que estejam saudáveis e aptos para uma nova fase de suas vidas.

Origem do problema

A proliferação dos jabutis na Praça Euclides Romanini é um problema que se arrasta por anos. Avaliações realizadas pelos órgãos envolvidos indicam que a situação decorre principalmente do abandono da espécie por moradores ao longo do tempo. Esses animais, mantidos irregularmente em cativeiro, foram soltos ou fugiram, aglomerando-se na praça e iniciando um ciclo de reprodução natural que levou ao aumento gradual da população observada atualmente.

É importante ressaltar que, na região Sudeste, especificamente no estado de São Paulo, a espécie nativa é o jabuti-tinga (<i>Chelonoidis denticulata</i>), facilmente identificada pela coloração amarelada da cabeça e das patas. A presença massiva do jabuti-piranga em Adamantina, portanto, configura uma alteração da fauna local, reforçando a urgência da remoção e repatriação desses répteis para seus habitats de origem.

Cuidados e espera

Enquanto aguardam a transferência, os 180 jabutis remanescentes na Praça Euclides Romanini recebem cuidados diários. Eles permanecem em um local isolado, fechado e monitorado, onde são alimentados com verduras, legumes e frutas. A Secretaria de Meio Ambiente de Adamantina assegura a presença de uma pessoa dedicada exclusivamente ao cuidado e à alimentação dos animais, um esforço contínuo para garantir o bem-estar dos répteis durante o período de espera.

A prioridade para as próximas transferências são as fêmeas, medida estratégica para diminuir a reprodução no local e controlar o crescimento da população. No entanto, a disponibilidade de vagas no Cetras-SP é um fator limitante, o que torna o processo gradual e sem um cronograma definido. A unidade de São Paulo atende continuamente cerca de 10 mil animais silvestres por ano, vítimas de tráfico, cativeiro irregular, atropelamentos, queimadas e entregas voluntárias, o que exige um planejamento criterioso para cada nova entrada.

A transferência desses animais, além da logística especializada e da articulação entre diferentes estados, exige também a disponibilidade de instituições aptas ao recebimento e transporte especializado para carga viva. Essa complexidade reforça a necessidade de um sistema integrado e bem coordenado para lidar com emergências ambientais e questões de manejo da fauna silvestre em todo o território nacional.

A situação dos jabutis em Adamantina é um microcosmo dos desafios enfrentados pelo Brasil na proteção de sua biodiversidade. A educação ambiental e o combate ao tráfico e cativeiro irregular são essenciais para prevenir que situações como essa se repitam. Ações como a de Adamantina, embora complexas, são vitais para a conservação das espécies e o equilíbrio dos ecossistemas.

Futuro dos animais

Apesar da ausência de uma data para a próxima fase da transferência, o compromisso dos órgãos ambientais de Adamantina e do estado de São Paulo é evidente na manutenção do bem-estar dos animais. A expectativa é que, à medida que novas vagas se abram no Cetras-SP e os processos de reabilitação e destinação se completem, os jabutis restantes possam finalmente ser repatriados, garantindo-lhes um retorno seguro ao seu ambiente natural.

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