Maternidade e superação: a vitória contra a trombofilia no interior de São Paulo
A jornada da corretora de imóveis Lisandra Cavicchio Brandão Cerqueira, de 31 anos, moradora de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, é um testemunho de resiliência e fé diante de desafios que testam os limites da esperança. Sua experiência com a maternidade foi marcada por uma série de obstáculos, incluindo dois abortos espontâneos, gestações de alto risco e a batalha contra a trombofilia, uma condição silenciosa que transformou a trajetória de sua família.
A trombofilia é uma alteração na coagulação sanguínea que aumenta significativamente o risco de formação de coágulos, podendo levar a complicações sérias durante a gravidez. Entre os desfechos mais graves estão abortos de repetição, pré-eclâmpsia severa e restrição do crescimento fetal, condições que colocam em perigo tanto a mãe quanto o bebê. A conscientização sobre esta condição é crucial para diagnósticos e tratamentos precoces, como a história de Lisandra demonstra.
Com a sensibilidade de quem enfrentou a dor e a incerteza, Lisandra compartilha a mensagem inspiradora: “Não desista de lutar”. Sua narrativa, permeada por medos e desafios desde a adolescência, reflete a força de quem precisou amadurecer precocemente. “Eu costumo dizer que sou uma menina que precisou se tornar mulher muito cedo, enfrentando medos e desafios ainda na adolescência. Precisei crescer cedo demais e isso é o que me deixou mais forte”, declara, refletindo sobre sua trajetória.
Sinais ignorados
A trombofilia de Lisandra permaneceu desconhecida por anos, uma condição genética que, segundo ela, foi negligenciada e pouco investigada. Antes de qualquer diagnóstico formal, ela enfrentou a dor de dois abortos espontâneos, o primeiro aos 17 anos e o segundo aos 20. A ausência de uma investigação aprofundada na época resultou em respostas que minimizavam a gravidade de suas perdas.
As explicações médicas dadas a Lisandra foram evasivas e, por vezes, desconsideraram a profundidade de seu sofrimento. “Na época, ouvi que poderia ser gravidez psicológica, e, na segunda vez, que seria uma gravidez que não iria evoluir. 'Foi melhor agora do que se estivesse de mais tempo', o médico plantonista falou. Como eu era muito nova, coloquei na minha cabeça que isso nunca tinha acontecido”, relata, evidenciando a falta de amparo e a necessidade de um olhar mais humano no cuidado à saúde feminina.
Anos mais tarde, durante a gestação de seu primeiro filho, Bryan, em 2016, novos desafios surgiram. Ela foi diagnosticada com toxoplasmose e enfrentou um parto prematuro, com apenas 34 semanas. A prematuridade, àquela altura, foi atribuída exclusivamente à infecção, sem que a trombofilia fosse sequer cogitada como um fator contribuinte, o que demonstra a complexidade dos diagnósticos em gestações de risco. [Link Interno: Compreendendo a Toxoplasmose na Gravidez]
Cinco anos depois, a gestação de João Rafael, seu segundo filho, trouxe sinais mais intensos e inconfundíveis. Lisandra conviveu com mal-estar constante e inchaço excessivo, mas, novamente, suas preocupações foram repetidamente minimizadas com a afirmação de que “estava tudo bem”. Essa persistência de sintomas não investigados atrasou ainda mais um diagnóstico preciso e crucial para a saúde dela e do bebê.
Foi uma amiga, que também lidava com a trombofilia, quem despertou a atenção de Lisandra para a possibilidade de ter a mesma condição. Esse insight, vindo de uma experiência pessoal e não de um profissional de saúde, foi o ponto de virada para que ela iniciasse uma busca ativa por respostas e exames, demonstrando a importância da rede de apoio e do compartilhamento de informações entre mulheres. [Link Externo: Trombofilia e Gravidez – Ministério da Saúde]
Diagnóstico urgente
Mesmo sem o apoio médico inicial que esperava, Lisandra perseverou na busca por exames. Com 33 semanas de gestação de João Rafael, um ultrassom com doppler revelou um coágulo nas artérias uterinas, um achado alarmante. O doppler, exame de imagem não invasivo, utiliza ondas sonoras para avaliar o fluxo sanguíneo em artérias e veias, medindo a velocidade e a direção do sangue, e foi fundamental para identificar a complicação que se apresentava.
Pouco tempo após a descoberta do coágulo, o líquido amniótico secou completamente, uma situação de emergência que exigia ação imediata. “O médico de imagem disse que precisava ser feito um parto de urgência, mas, infelizmente, fui para o centro cirúrgico às 16h, e o bebê entrou em sofrimento fetal agudo. O João nasceu sem chorar, sem vida, e, em meio ao meu desespero, pedi a Deus para não voltar para casa com os braços vazios”, recorda Lisandra, revivendo a angústia daquele momento.
Apesar do cenário crítico, João Rafael foi reanimado e levado às pressas para a UTI neonatal. Graças à equipe médica e à sua força, ele saiu do hospital com vida, um milagre diante das adversidades. No entanto, a mãe não deixa de refletir sobre o ocorrido: “Graças a Deus o pior não aconteceu, mas, por pura negligência, eu poderia tê-lo perdido”, enfatizando a importância de um diagnóstico e tratamento precoce para evitar desfechos tão dramáticos.
Após o nascimento de João Rafael e consciente dos riscos que havia enfrentado, Lisandra iniciou uma investigação particular e aprofundada sobre sua condição. Foi nesse período que uma nova notícia a surpreendeu: a descoberta da gravidez de seu terceiro filho, Anthony. Desta vez, munida de conhecimento e determinação, ela estava pronta para lutar com todas as ferramentas disponíveis.
A descoberta da trombofilia e da nova gravidez impulsionou Lisandra a iniciar o tratamento com enoxaparina, um anticoagulante essencial para casos de trombofilia gestacional. Esse passo foi crucial para garantir o sucesso da gestação de Anthony, marcando uma nova fase em sua luta pela maternidade plena e segura. [Link Interno: Desafios da Maternidade em Gestações Múltiplas]
Vitória pessoal
O tratamento com enoxaparina rapidamente se tornou parte da rotina diária de Lisandra, um processo que ela carinhosamente descreveu como as “picadinhas do amor”. “Inicialmente, era como uma 'picadinha do amor' por dia. Depois foram ajustadas para duas picadinhas. A primeira vez quem teve a honra foi a minha amiga, a segunda fui até uma farmácia, mas, na terceira vez, em um domingo, eu criei coragem para fazer a aplicação. Assim, as picadinhas se tornaram parte da minha rotina”, narra, ilustrando a superação do medo de agulhas pela certeza da vida que protegia.
Mesmo com o receio de agulhas, a memória do sofrimento vivido nas gestações anteriores servia como um potente combustível para continuar. A jornada de Anthony também foi marcada por desafios, incluindo internações, diabetes gestacional e pressão descompensada, culminando em seu nascimento prematuro, com 33 semanas.
Lisandra destaca a importância de ter encontrado uma estrutura hospitalar adequada para a mãe, mesmo em face de um cenário inicial que parecia desfavorável. Sua persistência em buscar o tratamento adequado e o suporte médico essencial foram determinantes para que, apesar das complicações, Anthony nascesse bem e saudável, completando sua família. A história de Lisandra é um lembrete vívido de que a informação e o protagonismo da paciente são cruciais em uma jornada de saúde tão complexa.
A história de Lisandra Cavicchio Brandão Cerqueira é muito mais que um relato de superação médica; é uma ode à resiliência humana e à força do amor materno. Sua jornada, permeada por diagnósticos tardios e a luta contra a trombofilia, culminou na formação de sua família, transformando a dor e a incerteza em um testemunho de fé e persistência. Ela enfatiza a importância de as mulheres conhecerem seus corpos e buscarem ajuda quando algo não está certo, mesmo que isso signifique desafiar opiniões médicas iniciais.
A “mãe atípica” de Presidente Prudente se tornou um símbolo de esperança para muitas outras que enfrentam desafios semelhantes, reiterando a mensagem de que, com informação, luta e fé, é possível superar as adversidades e realizar o sonho da maternidade. Sua história reforça a necessidade de um sistema de saúde mais atento e humanizado, capaz de ouvir e investigar as queixas das pacientes com a devida profundidade. Leia também: [Link Interno: O Papel da Fé na Superação de Doenças Crônicas]. Descubra mais notícias sobre saúde e bem-estar em nosso portal.
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