Três décadas de cidadania: a jornada de um mesário voluntário em Presidente Prudente
Há três décadas, o que começou como uma estratégia pragmática para alavancar a carreira transformou-se em um compromisso cívico ininterrupto para Johnny Pinto da Silva. Morador de Presidente Prudente, em São Paulo, Johnny, de 61 anos, tem dedicado seu tempo e experiência como mesário voluntário nas eleições brasileiras, testemunhando e participando ativamente dos bastidores do processo democrático desde 1996. Sua história, de uma motivação inicial por um concurso público a uma rotina de engajamento, reflete o papel essencial de milhares de voluntários que garantem a lisura e a eficiência das votações em todo o país. O compromisso de Johnny não apenas sublinha sua dedicação pessoal, mas também ilumina a importância do serviço voluntário para a robustez do sistema eleitoral. Este artigo explora as nuances dessa jornada, desde os incentivos que o levaram a iniciar até as memórias e o legado que construiu ao longo dos anos.
A decisão de Johnny de se tornar mesário encontrou respaldo na legislação eleitoral, um fator que, historicamente, tem atraído muitos cidadãos para a função. Conforme destacado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), a participação como mesário pode conferir uma vantagem decisiva em critérios de desempate em concursos públicos, desde que essa previsão esteja explicitada no edital. Esta prerrogativa, embora vista como um incentivo, é uma medida que busca valorizar o serviço cívico e reconhecer a dedicação dos que contribuem para o processo eleitoral. <a href="https://www.tre-sp.jus.br/" target="_blank" rel="noopener">O TRE-SP</a>, em sua constante busca por voluntários, ressalta a importância desses benefícios para mobilizar a população.
Além da vantagem em concursos, os voluntários das eleições têm outros direitos garantidos por lei. Para cada dia de atuação – seja no primeiro ou no segundo turno –, o mesário tem direito a dois dias de folga remunerada, sem qualquer prejuízo salarial. Essa compensação serve como um incentivo adicional para que trabalhadores se dediquem à função sem temer impactos negativos em suas carreiras. Adicionalmente, é concedido um auxílio-alimentação, atualmente fixado em R$ 65 por turno de trabalho, conforme a <a href="https://www.tse.jus.br/" target="_blank" rel="noopener">Portaria TSE nº 86/2025</a>. Tais benefícios buscam valorizar o tempo e o esforço de quem se dedica à tarefa cívica.
Johnny, que atualmente é técnico administrativo do Ministério Público Federal (MPF), iniciou sua trajetória como mesário nas eleições de 1996. Naquele período, ele residia em sua cidade natal, Ribeirão Preto, onde deu os primeiros passos nessa função. A mudança para Presidente Prudente, em 2002, não interrompeu seu engajamento; pelo contrário, consolidou seu papel como voluntário ativo na nova comunidade. Sua chegada à função foi, segundo ele, quase acidental, mas revelou um propósito maior.
“Entrei na vaga de um amigo, que queria sair. A minha intenção era que, à época, estava estudando para concurso público, e trabalhar nas eleições era fator de desempate”, relembra Johnny sobre os primórdios de sua jornada. “Entrei para o serviço público em 1997. Após isso, sempre trabalhei.” Essa frase encapsula a transição de um objetivo individual para um serviço continuado à coletividade, um testemunho de como a participação cívica pode se enraizar na vida de um indivíduo.
Vivências memoráveis
Ao longo de três décadas, Johnny Pinto da Silva acumulou um vasto repertório de histórias e situações inusitadas nos bastidores das eleições. Sua experiência oferece uma perspectiva única sobre os desafios e a evolução do processo de votação no Brasil, especialmente com a introdução das urnas eletrônicas. Essas memórias não são apenas pessoais, mas também um registro da adaptação da sociedade brasileira à tecnologia e à complexidade do exercício democrático. A paciência e a perspicácia demonstradas por voluntários como Johnny são fundamentais para o sucesso de cada pleito. <a href="/noticias-de-eleicoes-sp" target="_blank" rel="noopener">Confira mais notícias sobre as eleições em São Paulo.</a>
Um dos desafios mais marcantes, vivenciado no início de sua atuação, era a dificuldade de eleitores mais idosos em interagir com as recém-introduzidas urnas eletrônicas. “No início, era bem complicado a orientação para que ela pudesse conseguir completar o voto. Imagina, há 30 anos, quando o mundo digital estava engatinhando, era bem complicado, mas, na minha seção, nunca anulei ou suspendi um voto, sempre consegui orientar, com calma e paciência, o eleitor que tinha dificuldades, quaisquer que fossem elas”, narra Johnny. Essa habilidade de mediar a tecnologia para garantir o direito ao voto é uma das qualidades mais valiosas de um mesário.
As seções eleitorais, palco da democracia, são também cenários de imprevistos e situações peculiares. Johnny relata ter lidado com eleitores embriagados que causavam transtorno, bem como falhas técnicas e estruturais, como falta de energia na sala de votação ou portas trancadas. Essas situações, que demandam calma e improviso, demonstram a resiliência e a capacidade de resolução de problemas dos voluntários, que precisam manter a ordem e a fluidez do processo mesmo diante de adversidades inesperadas. <a href="/noticias-de-presidente-prudente" target="_blank" rel="noopener">Leia outras notícias sobre Presidente Prudente e região.</a>
Entre as inúmeras experiências, Johnny recorda um episódio especialmente curioso ocorrido quando residia em Piracicaba. “Quando o presidente da minha seção esqueceu de votar, sendo que ele votava na seção que ele presidia. Só lembrou quando já tinha encerrado a votação”, descreve. Esse incidente, embora anedótico, ilustra a pressão e a concentração exigidas no dia da eleição, onde até mesmo os mais experientes podem se deixar levar pela complexidade das responsabilidades.
Ao longo de sua trajetória, Johnny não apenas presenciou a evolução do sistema eleitoral, mas também a sua própria ascensão dentro da hierarquia dos voluntários. Após conquistar sua carreira profissional, ele percebeu que os benefícios do serviço voluntário iam além da vantagem inicial em concursos. Ele começou como mesário, progrediu para secretário de uma seção de justificativas e, posteriormente, atuou como presidente de seção em diversas eleições. Atualmente, exerce a função de chefe da equipe de apoio na Escola Estadual Professor Hugo Miele, um testemunho de sua liderança e compromisso contínuos.
Legado e futuro
Sua dedicação só foi interrompida em 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando, pertencendo ao grupo de risco devido a problemas de asma e bronquite, precisou se afastar. “Só não trabalhei nas eleições de 2020, pois estávamos na pandemia [da Covid-19], e eu era do grupo de risco, por ter problemas de asma e bronquite. De resto, trabalhei em todas…”, enfatiza. Essa pausa forçada apenas ressaltou a constância de sua presença nos pleitos anteriores e posteriores.
O engajamento de Johnny nas eleições transcende sua própria experiência, influenciando também sua família. Ele revela que sua ex-esposa já atuava como mesária quando ele começou, servindo de inspiração para sua entrada. Essa influência familiar se estendeu à próxima geração: “Recentemente, minha filha também trabalhou com o mesmo objetivo para fins de concurso, pois ela está estudando para isso”, compartilha, revelando que a motivação original, agora em um contexto familiar, perpetua o ciclo de serviço cívico.
Para Johnny, o voluntariado nas eleições é mais do que uma série de tarefas; é uma convicção profunda sobre o papel de cada cidadão na manutenção da democracia. “Votar é um ato de cidadania, que todos devem exercer, com consciência e responsabilidade. E eu estou lá para que tudo saia bem, sem intercorrências”, completa. Essa declaração final resume a essência de seu compromisso: garantir que o direito fundamental do voto seja exercido de forma livre, segura e eficiente.
A história de Johnny Pinto da Silva, de Presidente Prudente, é um lembrete vívido do valor inestimável dos mesários voluntários para a democracia brasileira. Pessoas como ele, que dedicam seu tempo e esforço, são a engrenagem essencial que move o complexo sistema eleitoral, transformando um ato burocrático em um processo acessível e confiável para milhões de eleitores. Seu legado de 30 anos de serviço inspira e reforça a ideia de que a participação cívica, em suas diversas formas, é o alicerce sobre o qual se constrói e se fortalece uma nação democrática. Que sua jornada sirva de estímulo para que mais cidadãos se engajem nesse fundamental serviço. As inscrições para <a href="https://www.tse.jus.br/servicos/mesario" target="_blank" rel="noopener">mesário nas próximas eleições</a> estão abertas, e sua contribuição é sempre bem-vinda.
Para aprofundar-se no tema e conhecer mais sobre a importância do voluntariado, explore as notícias em nosso site.
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