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06 de March de 2026

Polícia desmantela organização chinesa que lavava R$ 500 mi com golpes

Presidente Prudente
27/08/2025 18:28
Redacao
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A manhã desta quarta-feira (27/8) marcou um avanço significativo no combate ao crime organizado em São Paulo. A Polícia Civil, por meio do 1º Distrito Policial de Rosana/Primavera e da Unidade de Inteligência Policial do Deinter-8 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior), em parceria com o Ministério Público Estadual, deflagrou a Operação Cineris. A ação desarticulou uma sofisticada organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro, com atuação nacional e conexões internacionais.

O foco da investigação foi o núcleo central da quadrilha, composta majoritariamente por cidadãos de origem chinesa. Eles operavam empresas criadas exclusivamente para o branqueamento de capitais, utilizando estratégias complexas para ocultar a origem ilícita dos recursos. Para aumentar a eficiência do esquema, o grupo chegou a contratar uma empresa especializada na terceirização de operações de lavagem, conferindo ainda mais sofisticação às transações.

O ponto de partida das investigações foi um golpe virtual sofrido por um morador de Rosana, na região de Presidente Prudente. A vítima foi atraída por um site hospedado em Istambul, na Turquia, que simulava investimentos com promessas de altos rendimentos. A partir desse caso, os investigadores descobriram que milhares de brasileiros haviam sido enganados da mesma forma, com os valores desviados sendo canalizados para contas abertas por “laranjas” em bancos digitais.

Essas contas, uma vez ativadas, eram controladas diretamente pelos integrantes chineses da organização. Os recursos eram então transferidos para empresas de fachada, fintechs e gateways de pagamento, completando o ciclo da lavagem. O dinheiro retornava aos membros da quadrilha já com aparência de legalidade, dificultando a identificação pelas autoridades.

Ação contou com apoio de policiais de vários setores - Colab./Polícia Civil
Ação contou com apoio de policiais de vários setores – Colab./Polícia Civil

Lavanderia digital

Um dos elementos mais reveladores da investigação foi o uso de uma fintech como peça-chave na terceirização da lavagem de dinheiro. Essa empresa não apenas operava para o grupo sino-brasileiro, como também oferecia seus serviços a outras organizações criminosas. Funcionando como uma verdadeira “lavanderia do crime”, a fintech disponibilizava sua estrutura financeira para dissimular recursos oriundos de diversas atividades ilícitas.

O esquema movimentou quase R$ 500 milhões em poucos meses, evidenciando a magnitude da operação. Além dos golpes virtuais, os valores transacionados também tinham origem em facções criminosas, sem qualquer lastro legal. Diante da complexidade e do volume financeiro envolvido, a Polícia Civil e o Ministério Público intensificaram os esforços para desmantelar o núcleo de lavagem.

A ofensiva policial incluiu o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e 22 mandados de busca e apreensão em São Paulo, São José dos Campos e Ibiúna. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 480 milhões, a suspensão das atividades de quatro empresas envolvidas, o sequestro de sete veículos e a proibição de contato entre os investigados. A Polícia Federal foi acionada para suspender os passaportes dos envolvidos, evitando possíveis fugas.

Anonimato estratégico

Segundo os investigadores, o grupo operava em um sistema altamente compartimentado, com múltiplas fases de lavagem para dificultar a rastreabilidade. Os chineses utilizavam artifícios para ocultar a identidade dos operadores e manter o anonimato das transações, o que exigiu uma abordagem investigativa minuciosa e prolongada.

Durante os três anos de apuração, foram identificadas diversas viagens dos suspeitos ao continente asiático, indicando possível escoamento de recursos para fora do país. Essa movimentação internacional reforça o caráter transnacional da organização criminosa e a necessidade de cooperação entre autoridades brasileiras e estrangeiras.

Operação colocou fim em golpés que movimentaram R$ 500 mil - Colab./Polícia Civil
Operação colocou fim em golpés que movimentaram R$ 500 mil – Colab./Polícia Civil

A Operação Cineris mobilizou 97 policiais civis, distribuídos em 23 equipes e 25 viaturas. O esforço contou com o apoio de unidades especializadas como GOE-DEIC-8, GER e GARRA/DOPE, somando mais 24 agentes. A ação coordenada foi fundamental para o sucesso da operação e para a neutralização de um esquema que ameaçava a integridade do sistema financeiro nacional.

Os delegados responsáveis, Edmar Rogério Caparroz e Ramon Euclides Guarnieri Pedrão, destacaram a importância estratégica da operação. “A Operação Cineris demonstra a capacidade da Polícia Civil em atuar de forma integrada e estratégica contra organizações criminosas, preservando a integridade do sistema financeiro e desarticulando esquemas que afetam diretamente a economia e a segurança pública”, afirmou a coordenação.

Com o desmantelamento da quadrilha, as autoridades esperam reduzir significativamente a incidência de golpes virtuais e o uso de estruturas financeiras para fins ilícitos. A operação também serve como alerta para o fortalecimento da fiscalização sobre fintechs e plataformas digitais, que vêm sendo cada vez mais utilizadas por criminosos para lavar dinheiro e ocultar patrimônio.

A Operação Cineris representa não apenas um marco na repressão ao crime organizado, mas também um exemplo de como inteligência policial e articulação institucional podem enfrentar esquemas complexos e bilionários. O caso segue sob investigação, e novas fases da operação não estão descartadas.

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