Brasil domina Open das Américas de halterofilismo com sete ouros
A Cidade do México tornou-se o palco de um notável feito para o esporte paralímpico brasileiro. No Open das Américas de halterofilismo, competição de peso no calendário internacional, a delegação do Brasil não apenas participou, mas dominou as disputas, assegurando a liderança no quadro geral de medalhas com uma performance impressionante e marcando um período de grande êxito para a modalidade.
Com sete medalhas de ouro e um total de 14 pódios após os primeiros três dias de torneio, que se estende até esta quinta-feira (8), o país demonstra sua força na modalidade. Os resultados obtidos são cruciais, pois valem pontos importantes no ranking de classificação para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles, em 2028, consolidando o Brasil como uma potência regional e global no levantamento de peso adaptado. Este desempenho coloca a nação em destaque no cenário esportivo.
Desempenho decisivo e recordes estabelecidos
O desempenho registrado na terça-feira (6) foi particularmente decisivo para a delegação brasileira, que conseguiu disparar na liderança. Naquele dia, foram conquistados quatro ouros e três dobradinhas, um feito que ressalta a coesão e o alto nível técnico dos atletas do Brasil, demonstrando a profundidade e a qualidade do treinamento.
Entre os destaques, a paulista Mariana D'Andrea, atual bicampeã paralímpica e amplamente reconhecida pelo seu favoritismo, não decepcionou. Competindo na categoria até 73 quilos (kg), Mariana conquistou o ouro e, de forma ainda mais expressiva, estabeleceu um novo recorde das Américas. A atleta conseguiu erguer 146 kg, superando em um quilo a própria marca alcançada em 2024, evidenciando sua constante evolução e domínio.
A conquista de Mariana foi ainda mais especial com a presença da mineira Caroline Fernandes, que levou a medalha de prata ao levantar 119 kg, formando uma dobradinha brasileira no pódio. Essa sincronia entre os atletas é um reflexo do trabalho em equipe e da profundidade de talentos no esporte nacional, mostrando a força coletiva da equipe.
Em entrevista concedida à TV Brasil antes de sua viagem para o México, Mariana, que convive com nanismo, compartilhou a filosofia que a impulsiona: “O meu treinador [Valdecir Lopes, técnico-chefe da seleção de halterofilismo] sempre fala que é difícil chegar [ao topo], mas o mais difícil é se manter, porque a gente vira alvo de todo mundo. Então, a gente tem que estar bem disciplinada, que isso faz diferença na hora de buscar uma medalha. E quando você sente o gosto do ouro, de ser uma campeã paralímpica, isso te motiva a querer mais e manter seu espaço”, declarou, evidenciando a mentalidade de uma campeã.
Ouro para Ailton de Souza e Maria de Fátima Castro
A sequência de vitórias brasileiras continuou com Ailton de Souza. O paraibano, que superou os desafios impostos pela paralisia infantil decorrente de um erro médico em seu nascimento, ergueu impressionantes 201 kg na categoria até 80 kg. Essa performance garantiu-lhe o ouro, com uma vantagem considerável sobre o equatoriano Sebastian Ayala (166 kg) e o mexicano Jairo Santiago (161 kg), que completaram o pódio, reafirmando sua excelência.
Outro nome que brilhou foi Maria de Fátima Castro. Medalhista de bronze na Paralimpíada de Paris (França) em 2024 na categoria até 67 kg, a atleta amazonense enfrentou um novo desafio ao competir com halterofilistas de até 79 kg. A transição não diminuiu seu ímpeto, e Maria de Fátima conquistou o ouro ao levantar 135 kg, superando a brasiliense Gabrielle Lima, que alcançou 131 kg, em mais uma dobradinha brasileira de destaque.
Na antiga categoria de Maria de Fátima, até 61 kg, o Brasil também garantiu ouro e prata. A paulista Laira Guimarães assegurou o primeiro lugar ao erguer 109 kg, enquanto a paraense Naira Cruz ficou com a prata, levantando 106 kg. Ambas as atletas também mudaram de peso neste novo ciclo paralímpico, demonstrando a versatilidade e adaptação da equipe nacional diante dos novos desafios da competição.
Início promissor e a jornada para Los Angeles 2028
O início da competição, na segunda-feira (5), já havia sinalizado o potencial da equipe. A potiguar Maria Rizonaide da Silva conquistou o ouro na categoria até 50 kg, estabelecendo o ritmo vitorioso do Brasil. Completaram o quadro de medalhas daquele dia as gaúchas Ana Paula Marques (bronze na categoria até 61 kg) e a mineira Cristiane Reis (bronze na categoria até 55 kg), evidenciando a amplitude do talento.
Mesmo os atletas que não subiram ao pódio demonstraram grande potencial. O rondoniense Kauê Motta, estreante em torneios internacionais e um exemplo de transição bem-sucedida do fisiculturismo para o halterofilismo, ficou em um honroso quarto lugar na categoria até 65 kg, a apenas um quilo de distância da medalha, prometendo futuras conquistas e um futuro promissor para o esporte.
A participação brasileira no Open das Américas teve seu pontapé inicial no domingo (4), com a conquista de quatro medalhas. Os mineiros Marco Túlio Cruz (categoria até 49 kg) e Lara Lima (categoria até 45 kg) foram os primeiros a garantir o ouro. O potiguar João Maria França (categoria até 59 kg) conquistou a prata, e a paulista Brenda Pepe (categoria até 41 kg) levou o bronze, inaugurando a contagem de pódios do Brasil com uma performance sólida.
Caminho estratégico para a paralimpíada
A importância do Open das Américas vai além das medalhas imediatas. O torneio é uma das competições obrigatórias para os atletas do continente que almejam uma vaga nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028. Este evento é parte de um ciclo rigoroso de qualificação estabelecido pela World Para Powerlifting (WPPO), o braço do Comitê Paralímpico Internacional (IPC) responsável pela modalidade, garantindo o alto nível de competitividade.
Para o próximo ano, a jornada rumo a Los Angeles exige a participação em eventos-chave, como os Jogos Parapan-Americanos de Lima (Peru) e o Campeonato Mundial da Cidade do México. A presença e o desempenho nessas competições são cruciais para que os atletas cumpram os requisitos da WPPO e avancem no processo de classificação, marcando etapas fundamentais para os aspirantes.
Em 2028, ano que marca o fechamento do ranking, os competidores precisarão participar de, no mínimo, duas etapas da Copa do Mundo de halterofilismo. Ao final desse ciclo, os oito melhores atletas de cada categoria de peso que tiverem atendido a todas as exigências da WPPO serão os selecionados para representar seus países na Paralimpíada, destacando a complexidade e a competitividade do sistema de qualificação e a necessidade de excelência constante.
A performance dominante do Brasil no Open das Américas de halterofilismo, com um total de sete ouros e 14 pódios, é um testemunho do talento e da dedicação dos atletas e suas equipes técnicas. Mais do que medalhas, essas conquistas representam um passo significativo na preparação para Los Angeles 2028, reforçando a posição do país como um dos principais protagonistas no cenário paralímpico mundial do levantamento de peso. A jornada é longa, mas o início promissor sugere um futuro brilhante para o esporte adaptado brasileiro, inspirando novas gerações de atletas. Para aprofundar-se no tema e conhecer outras notícias do esporte paralímpico, confira a cobertura completa em nosso portal.
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