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06 de July de 2026

A eliminação do Brasil e o eco mundial: jornais repercutem adeus à Copa

Esportes
06/07/2026 15:32
Redacao
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O sonho do hexacampeonato mundial da seleção brasileira foi abruptamente interrompido. A eliminação do Brasil na Copa do Mundo, após uma derrota por 2 a 1 para a Noruega nas oitavas de final, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, reverberou com força no cenário esportivo global. O revés, ocorrido no último domingo, estampou as capas e páginas dos principais jornais esportivos ao redor do mundo nesta segunda-feira (6), trazendo à tona não apenas o choque da derrota, mas também uma enxurrada de críticas e até ironias direcionadas ao desempenho da equipe verde e amarela.

O adeus precoce do Brasil à competição gerou um debate intenso sobre o 'DNA' do futebol brasileiro, as escolhas táticas e o papel de seus principais jogadores. Longe de ser apenas uma notícia esportiva, a queda da seleção canarinho se tornou um espelho para análises mais profundas sobre a identidade e a evolução do esporte no país que é sinônimo de futebol.

A imprensa internacional, com sua perspicácia característica, não hesitou em apontar falhas e levantar questionamentos que vão além do resultado em campo. A derrota para a Noruega, longe de ser um mero tropeço, foi interpretada por muitos como um sintoma de transformações mais amplas no estilo e na abordagem do futebol praticado pela seleção.

A repercussão em jornais da Argentina e da Itália

Na Argentina, o diário <i>Olé</i> destacou a derrocada brasileira como manchete principal, com o título 'No compasso do tamborim'. Curiosamente, a glória da seleção local, atual campeã e ainda na corrida pelo tetracampeonato mundial, foi relegada a um espaço menor, dividindo a atenção com a classificação da Inglaterra e outros confrontos da competição. A crônica publicada no site do jornal foi particularmente incisiva, refletindo sobre a mudança de estilo da seleção brasileira ao longo dos anos.

O texto do <i>Olé</i> questionou a 'modernidade' que, segundo a publicação, 'varreu' o Brasil que antes era conhecido pela posse de bola, habilidade técnica, parcerias criativas e o 'Futebol Total'. 'Esta seleção joga, vence e perde utilizando uma fórmula diferente', relatou a crônica, que concluiu de forma contundente: 'A vitória [da Noruega] foi muito justa, histórica e explicativa: o preço por abandonar seu DNA custou o Mundial aos brasileiros'.

Do outro lado do Atlântico, o italiano <i>Corriere dello Sport</i>, embora tenha dado destaque principal à vitória de Charles Leclerc, da Ferrari, no Grand Prêmio da Grã-Bretanha de Fórmula 1, não deixou de registrar a eliminação da seleção canarinho, comandada pelo compatriota Carlo Ancelotti. A chamada na capa ressaltava o protagonismo de Erling Haaland, artilheiro da partida com dois gols, afirmando que ele 'fez o Brasil chorar'.

A matéria do diário italiano teceu críticas ao desempenho brasileiro, descrevendo a seleção atual como um time 'menor, laborioso, episódico'. Além disso, o <i>Corriere dello Sport</i> projetou um jejum de 28 anos sem título mundial para o Brasil na próxima Copa, caso a sequência sem conquistas se mantenha. Em um tom irônico, o jornal ainda comparou a situação brasileira com a da própria Itália, que ficou fora do Mundial pela terceira edição consecutiva, apesar de ter perdido para a Noruega nas eliminatórias. 'Apesar de todas as limitações da nossa pequena Itália, uma coisa, talvez, está clara agora: ficamos fora, mas a Noruega foi o pior sorteio possível', finalizou o texto, em uma tentativa de consolo e reflexão sobre o nível dos adversários.

O olhar crítico de Espanha e Portugal

Na Espanha, o jornal <i>Marca</i> naturalmente priorizou o aguardado duelo entre a seleção espanhola e Portugal, marcado para esta segunda-feira em Miami. Contudo, a eliminação brasileira também teve seu espaço de destaque na capa do periódico esportivo, enaltecendo não apenas Haaland, mas também o goleiro norueguês Orjan Nyland, peça fundamental com suas grandes defesas ao longo da partida. A reportagem do confronto apontou para as substituições realizadas por Ancelotti no segundo tempo como um ponto de inflexão.

A entrada do volante Danilo Santos e de Neymar aos 22 minutos da etapa final, nos lugares de Gabriel Martinelli e Rayan, alterou a dinâmica ofensiva, deslocando Endrick do comando de ataque para a ponta direita. 'Ali se acabou todo o equilíbrio do Brasil de Ancelotti', resumiu a matéria do <i>Marca</i>, que também levantou um questionamento crucial sobre a decisão de Vinícius Júnior não ter cobrado o pênalti no primeiro tempo, quando o placar ainda estava 0 a 0. Bruno Guimarães foi o responsável pela cobrança, desperdiçando a oportunidade defendida por Nyland.

O jornal espanhol argumentou que, no Real Madrid, mesmo rodeado por grandes cobradores como Kylian Mbappé ou Jude Bellingham, Vinícius Júnior 'conquistou (e lutou por isso), com Ancelotti, o direito de cobrar pênaltis'. A matéria prosseguiu, destacando que, na seleção brasileira, ele não é um 'ator secundário', mas sim a 'estrela', o 'protagonista dos grandes jogos'. Por essa razão, a publicação considerou 'custoso entender que, no momento de maior responsabilidade, ela tenha decidido se afastar' da cobrança.

Em Portugal, o jornal <i>A Bola</i>, também com foco na partida contra a Espanha, dedicou amplo espaço ao revés brasileiro em sua capa, mencionando Haaland e o meia Andreas Schjelderup, jogador do Benfica. A matéria sobre o jogo, publicada no site do veículo, analisou a performance de Vinícius Júnior sob uma ótica menos crítica que a do <i>Marca</i>, descrevendo o seu 'adeus' à Copa como 'cruel'.

Para <i>A Bola</i>, o atacante 'exibiu-se a um bom nível, liderou o ataque brasileiro, criou jogadas de perigo (aquele passe para Endrick é extraordinário), mas não conseguiu guiar o escrete até as quartas'. A reportagem destacou a assistência de Vinícius Júnior para Endrick, que, sozinho diante do goleiro, desperdiçou a melhor chance do Brasil no segundo tempo, ilustrando a frustração de uma equipe que lutou, mas não encontrou o caminho para a vitória.

As lições de uma eliminação dolorosa

A eliminação do Brasil na Copa do Mundo de Nova Jersey, embora dolorosa, trouxe à tona uma série de reflexões sobre o futebol da seleção. As críticas internacionais, embora por vezes incisivas, ofereceram um panorama externo que complementa a análise interna, apontando para a necessidade de reavaliar estratégias, a identidade em campo e o aproveitamento de talentos individuais. A busca pelo hexacampeonato, agora adiada, certamente passará por uma profunda introspecção e por um novo ciclo de planejamento. A forma como a seleção brasileira irá absorver e reagir a essas críticas será fundamental para os desafios futuros e para a retomada do protagonismo no cenário mundial do futebol.

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