Rock in Rio: paixão que move fã a todas as edições e o fez pedir demissão
Entre as milhares de narrativas que tecem a rica história do Rock in Rio, poucas ressoam com tanta paixão e dedicação quanto a de Ildebrando Costa Bibanco. Aos 63 anos, este morador de Álvares Machado, no interior paulista, ostenta um feito notável: ele participou de todas as edições do aclamado festival realizadas no Rio de Janeiro desde sua estreia, em 1985. Uma jornada que transcende a simples presença, marcando-o como um verdadeiro embaixador da energia e da celebração musical que o evento representa.
Neste ano, Bibanco, o fã incondicional, mais uma vez marcou presença na edição do festival, que iniciou em 4 de setembro e se estendeu até o dia 13 do mesmo mês. Com uma programação monumental de 91 horas, distribuída em sete palcos e uma miríade de espaços de entretenimento, o evento reafirmou sua posição como um dos maiores espetáculos musicais do planeta. Para ele, a excitação e a antecipação são sentimentos que se renovam a cada edição, solidificando sua conexão profunda com a música e a atmosfera única da Cidade do Rock.
A dedicação de um fã
A história de Ildebrando e sua devoção ao rock é antiga e repleta de episódios que ilustram um compromisso quase lendário. Ele relembra com vividez sua primeira incursão no Rock in Rio, aos 21 anos, em 1985. Diante da negativa em conceder-lhe férias para o tão esperado evento, a decisão foi radical e emblemática: “Em 1985, eu pedi férias no meu trabalho e não me deram, pedi demissão e arrumei a maior confusão em casa com o meu pai”, conta Bibanco ao g1, ilustrando a dimensão de sua paixão, capaz de superar até mesmo o desalento familiar em nome da música.
Essa atitude, que à primeira vista poderia parecer impulsiva, revela a essência do que o festival significa para ele. “Já me considero sobrevivente de uma geração, pois acredito existirem poucos roqueiros nessa condição. R.I.R significa vida pra mim. Após o término de cada edição, eu já começo a me preparar para a próxima”, declara, ressaltando o Rock in Rio não apenas como um evento, mas como um ciclo vital em sua existência, um propósito que o impulsiona ano após ano.
Outra situação que demonstra sua inabalável paixão ocorreu em 2001, período em que ainda residia em São Paulo. Com um compromisso de trabalho no sábado à tarde, Ildebrando, então servidor público aposentado, não hesitou: “Eu tinha que trabalhar no sábado à tarde. Fui ao show de carro, dormi um pouco e voltei para trabalhar”, narra. Essa logística intrincada para não perder o espetáculo do Rock in Rio evidencia a energia e o sacrifício que muitos fãs estão dispostos a fazer pela experiência única que o festival proporciona, transcendendo barreiras de distância e cansaço.
Normalmente, Bibanco organiza suas idas ao festival com um grupo de amigos, mas ele é o único que detém o recorde de ter comparecido a todas as 11 edições do Rock in Rio no Brasil. Sua percepção sobre a grandiosidade do evento é clara: “Já fui a vários shows durante minha vida, mas, com sinceridade, a vibe do R.I.R é imbatível”, enfatiza, capturando a essência de um festival que vai além das atrações musicais, criando uma atmosfera de comunhão e celebração difícil de replicar. Nesta edição, ele aguardava com particular entusiasmo o show da banda Sepultura, que se apresentou no sábado (5).
A grandiosidade do evento
A edição atual do Rock in Rio, que se estende por diversos dias, apresenta uma impressionante estrutura para receber um público de cem mil pessoas por dia, distribuídas em 385 mil metros quadrados. Com cerca de 1,3 mil artistas programados para 190 apresentações, os destaques artísticos englobaram nomes de peso como Elton John, Foo Fighters, Maroon 5, Stray Kids e Twenty One Pilots, oferecendo uma variedade musical que atende a diferentes gostos. A diversidade de palcos e espaços garante uma experiência completa, desde o rock pesado até as novas tendências musicais.
Preparo para o festival
Para aqueles que planejam vivenciar a Cidade do Rock, uma série de preparativos é essencial. A ativação do ingresso no aplicativo Quentro é o primeiro passo crucial. Além disso, a organização do festival implementa uma operação especial de BRT e metrô, facilitando o acesso ao local. Normas rigorosas são estabelecidas quanto a alimentos, garrafas, mochilas e outros objetos permitidos, visando a segurança e o conforto de todos os presentes. A informação prévia é fundamental para garantir uma experiência tranquila e agradável para os espectadores. Para mais detalhes sobre o que levar e o que evitar, leia também: <a href="#" target="_blank" rel="noopener">Rock in Rio: veja o que pode e o que não pode levar para a Cidade do Rock</a>.
A programação do Rock in Rio transcende a música nos palcos principais, oferecendo uma pluralidade de espaços temáticos. O New Dance Order, por exemplo, é inteiramente dedicado à música eletrônica, pulsando com batidas contemporâneas. O Espaço Favela celebra a rica diversidade dos ritmos brasileiros, como samba e funk, enquanto o Supernova se dedica a apresentar novos talentos da cena musical. Já o palco Sunset é famoso pelos encontros inusitados e colaborações emocionantes entre grandes artistas, criando momentos memoráveis e únicos para o público. Para conhecer histórias de outros fãs dedicados, confira: <a href="#" target="_blank" rel="noopener">Fã que assistiu a 70 shows de Maroon 5 viaja dos EUA ao Brasil para estreia da turnê: 'São únicos'</a>.
Experiências e imersão
Além da música, a Cidade do Rock é um verdadeiro parque de diversões, oferecendo brinquedos e experiências imersivas que complementam a jornada. Atrações como a montanha-russa e o Discovery são parte integrante da estrutura do festival, proporcionando adrenalina e diversão entre um show e outro. Esses elementos transformam o evento em um destino de entretenimento completo, capaz de cativar públicos de todas as idades e preferências, indo além da simples audição de bandas e performance de artistas.
Nesta edição, o público pôde também se maravilhar com o espetáculo Ecco, uma experiência sensorial de luz e som que, pela primeira vez, ocupou a arena da Cidade do Rock, utilizando tecnologia audiovisual de ponta. Essa inovação reforça o compromisso do festival em oferecer sempre novidades e aprimorar a interação com o público, criando ambientes que estimulam todos os sentidos e geram memórias duradouras. A programação ainda incluiu o Global Village, um espaço que é uma verdadeira tapeçaria cultural, reunindo referências arquitetônicas e culturais de diferentes partes do mundo.
A cenografia meticulosa do Global Village reproduziu elementos inspirados no Taj Mahal, na Índia, e no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, além de evocar a obra do renomado arquiteto espanhol Gaudí. A proposta é criar um ponto de encontro onde distintas culturas e públicos se conectam, tendo a música como um elo universal, demonstrando a capacidade do Rock in Rio de ser um palco para a diversidade global. O festival, inclusive, já projeta sua edição de 2026, prometendo manter a tradição com 190 shows e público de cem mil pessoas por dia.
Legado e futuro
A saga de Ildebrando Costa Bibanco é um testemunho vivo do impacto cultural e emocional do Rock in Rio. Sua história transcende o mero entretenimento, revelando um laço profundo entre o indivíduo e a arte, onde a música se torna um pilar de identidade e propósito. O festival, mais do que um conglomerado de shows, consolida-se como um fenômeno cultural que atravessa gerações, moldando memórias e inspirando lealdades duradouras.
A cada nova edição, a Cidade do Rock se reinventa, mas a essência que a torna imbatível permanece, como um convite constante à celebração da vida através da música. A resiliência e a paixão de fãs como Ildebrando são o combustível que mantém a chama do Rock in Rio acesa, garantindo que o festival continue a ser não apenas um evento musical, mas um marco na cultura brasileira e global, prometendo novas emoções e histórias para as próximas gerações. Para aprofundar-se em outras notícias sobre eventos na região, acesse a seção de notícias do g1 Presidente Prudente e Região.
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