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06 de March de 2026

Tecnologia inovadora amplia capacidade de linhas de transmissão de energia no Brasil

Presidente Prudente
26/01/2026 08:31
Redacao
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O Brasil registrou um avanço significativo no setor energético com o teste de uma tecnologia inédita em suas linhas de transmissão de energia. A iniciativa, realizada em um trecho de 138 quilovolts (kV) da linha Porto Primavera – Rosana, no extremo oeste paulista, visa aumentar a capacidade de escoamento energético sem a necessidade de construir novas torres ou substituir os cabos existentes. Este projeto de otimização de linhas de transmissão é um marco para a infraestrutura elétrica nacional, propondo uma solução inovadora para um desafio recorrente: a crescente demanda por energia.

A ISA Energia Brasil, em colaboração com a Prysmian Brasil, lidera a avaliação do desempenho desta tecnologia nos próximos meses. O monitoramento contínuo das variáveis operacionais dos cabos antes e depois da aplicação do projeto permitirá uma análise comparativa aprofundada, conforme explicou Dayron Urrego, diretor-executivo de Projetos da ISA Energia Brasil. A meta é validar a eficácia da solução em uma das linhas mais exigidas da região, oferecendo um novo paradigma para a gestão e expansão do sistema elétrico do país.

O sistema elétrico brasileiro enfrenta um problema persistente: o crescimento da demanda por energia em áreas onde a ampliação da infraestrutura é dispendiosa, demorada ou ambientalmente sensível. O aumento de indústrias, a expansão urbana e o crescimento do consumo residencial levam muitas linhas de transmissão a operar próximas de seu limite técnico. Esta realidade impõe barreiras ao desenvolvimento econômico e social, exigindo soluções criativas para garantir a continuidade e a qualidade do fornecimento de energia elétrica.

A construção de novas linhas de transmissão, embora seja uma solução lógica para aumentar a capacidade energética, nem sempre é viável devido a custos elevados, longos prazos de execução e restrições ambientais. Dayron Urrego destacou que “com o passar do tempo, a demanda aumenta, mas a linha continua sendo a mesma. A solução lógica seria construir outra linha, mas isso nem sempre pode ser feito, além de levar tempo.” Diante deste cenário, a busca por inovações que permitam manter a infraestrutura existente e, simultaneamente, elevar a capacidade de escoamento de energia torna-se imperativa para o setor elétrico.

Limite operacional

A tecnologia testada em Rosana atua diretamente sobre um dos principais fatores que limitam a transmissão de energia: o aquecimento do cabo. Quanto maior a quantidade de energia que circula por um cabo, maior é a sua temperatura. Este aquecimento excessivo impõe restrições severas de segurança e de operação, pois pode comprometer a integridade do material condutor e, consequentemente, a estabilidade do sistema elétrico. Manter os cabos em temperaturas operacionais seguras é crucial para evitar falhas e garantir a eficiência da transmissão.

As normas técnicas estabelecem limites de temperatura para os cabos, como 90°C para o alumínio, para que a energia possa ser escoada de forma adequada sem riscos. A constante operação próxima a esses limites técnicos reduz a margem de segurança e a flexibilidade da rede, dificultando o atendimento a picos de demanda. A superação deste limite operacional é um dos maiores desafios para a otimização de linhas de transmissão, tornando a tecnologia de redução térmica uma promissora via para o aumento da capacidade das redes existentes.

A solução implementada consiste na aplicação de um revestimento cerâmico de alta performance diretamente sobre o cabo já instalado, sem qualquer alteração na estrutura física da linha de transmissão. Este material inovador foi projetado para melhorar significativamente a troca de calor entre o cabo e o ambiente, resultando em uma redução da temperatura de operação. Daniel Azevedo, diretor de Negócios Power Grid da Prysmian Brasil, ressaltou a simplicidade e a eficácia da intervenção: “O cabo é o mesmo. Você não está fazendo substituição nenhuma. Você só está aplicando uma camada cerâmica em cima do cabo já instalado e existente. Não vai ter aumento de peso, não vai precisar trocar torre, reforçar torre, nada disso.”

A capacidade desta tecnologia de otimizar as linhas de transmissão sem demandar grandes investimentos em infraestrutura nova representa um diferencial estratégico. Ao invés de onerar o sistema com obras complexas e demoradas, a aplicação do revestimento cerâmico oferece uma alternativa ágil e menos impactante. Este modelo de intervenção é especialmente relevante para áreas onde a densidade populacional ou as restrições geográficas inviabilizam a construção de novas estruturas, focando na maximização do aproveitamento dos ativos já existentes no sistema elétrico nacional.

Aplicação prática

Tecnicamente, a camada cerâmica possui uma cor esbranquiçada que desempenha um papel crucial na facilitação da troca de calor com o ambiente. Segundo os técnicos envolvidos no projeto, o material reduz a absorção de calor da radiação solar e potencializa a dissipação térmica, mantendo o cabo em temperaturas mais baixas mesmo quando opera com maior carregamento de energia. “Essa camada cerâmica tem uma cor esbranquiçada, que tem o papel único de facilitar a troca de calor com o ambiente,” detalhou Daniel Azevedo, explicando que o objetivo é evitar que a temperatura do cabo “ultrapasse a temperatura máxima de operação” permitida pela norma.

Na prática, esta otimização térmica significa que as linhas de transmissão podem transportar uma quantidade maior de energia elétrica sem que o cabo atinja seus limites críticos de temperatura. Dayron Urrego sumarizou o benefício principal: “Quando você transmite mais energia, o cabo esquenta. O que essa capa cerâmica faz é evitar que ele fique muito quente.” Esta capacidade de operar com maior carga, mantendo os cabos mais frios, é um divisor de águas para a eficiência e a sustentabilidade das redes de energia, permitindo uma melhor utilização dos recursos existentes e contribuindo para a resiliência do sistema elétrico.

Um dos aspectos mais inovadores e visualmente impactantes do teste foi a metodologia de aplicação do revestimento cerâmico, que utilizou robôs operando diretamente sobre os cabos da linha de transmissão, a uma altura aproximada de 20 metros. Foram empregados dois equipamentos controlados remotamente: um com a função de limpeza e outro para a aplicação precisa da camada cerâmica. Esta abordagem robótica garante uniformidade na aplicação e minimiza os riscos para os operadores, além de ser mais eficiente em termos de tempo e precisão para a otimização de linhas de transmissão.

Daniel Azevedo detalhou o processo ao g1: “O primeiro robô faz a limpeza do cabo, removendo poeira e resíduos acumulados ao longo do tempo. Depois, um segundo robô aplica a cerâmica.” A agilidade da tecnologia foi demonstrada na prática, com a aplicação levando cerca de oito horas para cobrir um trecho de aproximadamente 350 metros de linha. A utilização de robôs em operações de manutenção e modernização de infraestruturas elétricas é um indicativo do futuro da engenharia e representa um avanço significativo na segurança e eficiência dos trabalhos em altura.

Apesar da utilização de robôs e do ineditismo da tecnologia no Brasil, a segurança foi a prioridade máxima durante o procedimento. A linha de transmissão foi desenergizada durante a aplicação do revestimento cerâmico. Esta medida preventiva foi adotada por se tratar da primeira vez que a tecnologia de otimização de linhas de transmissão era aplicada em território nacional. O procedimento foi programado para coincidir com uma janela de manutenção já prevista, garantindo que não houvesse interrupção adicional no fornecimento de energia elétrica à população, demonstrando um planejamento cuidadoso e responsável.

A escolha de integrar a aplicação da tecnologia a uma parada de manutenção já agendada minimizou qualquer impacto potencial para os consumidores e para a rede elétrica. Este enfoque na segurança operacional e no planejamento estratégico é fundamental para a introdução bem-sucedida de inovações de grande porte no setor de energia. A experiência em Rosana servirá como um valioso aprendizado para futuras aplicações da tecnologia em outras linhas de transmissão, estabelecendo protocolos de segurança e eficiência para o sistema elétrico nacional.

Resultados esperados

Os dados coletados durante a fase de monitoramento da linha Porto Primavera – Rosana serão analisados detalhadamente ao longo do primeiro semestre. Este período de avaliação é crucial para comparar o comportamento da linha antes e depois da aplicação da tecnologia de otimização de linhas de transmissão, verificando o impacto real do revestimento cerâmico na capacidade de escoamento de energia e na redução da temperatura operacional dos cabos. A análise rigorosa permitirá validar os benefícios propostos pela solução e mensurar sua eficácia em condições reais de operação do sistema elétrico.

Segundo os responsáveis pelo projeto, o monitoramento contínuo das variáveis operacionais, como a temperatura do cabo, é essencial para determinar “quanta energia podemos ou não escoar”, conforme Dayron Urrego. A expectativa é que os resultados demonstrem um aumento significativo na capacidade de transmissão sem comprometer a segurança ou a vida útil dos equipamentos. Os dados obtidos serão fundamentais para embasar futuras decisões sobre a expansão e modernização da infraestrutura de energia no Brasil, consolidando a validade da inovação para o sistema elétrico.

O sucesso desta tecnologia em Rosana tem o potencial de redefinir as estratégias de investimento e expansão do setor elétrico brasileiro. Ao permitir o aumento da capacidade de linhas de transmissão existentes, a solução pode postergar ou até mesmo evitar a necessidade de construção de novas linhas, gerando economia de recursos e reduzindo impactos ambientais. Embora os responsáveis pelo projeto afirmem que a tecnologia não é aplicável automaticamente a todas as linhas, ela representa um caminho promissor para a modernização e o aumento da resiliência da rede elétrica nacional.

A otimização de linhas de energia através de inovações como o revestimento cerâmico contribui diretamente para um sistema elétrico mais eficiente e sustentável, capaz de atender à demanda crescente com maior flexibilidade e menor pegada ecológica. A experiência brasileira, em parceria com empresas globais, posiciona o país na vanguarda da pesquisa e desenvolvimento em transmissão de energia, abrindo portas para a adoção em larga escala desta e de outras tecnologias disruptivas que visam fortalecer a infraestrutura energética e garantir um futuro mais robusto para o fornecimento de eletricidade.

Este avanço tecnológico demonstra o compromisso do setor com a inovação e a busca por soluções que impulsionem a capacidade e a confiabilidade do sistema elétrico. Os resultados dos testes em Rosana serão cruciais para delinear os próximos passos e para a eventual implementação em outras regiões do Brasil, marcando um novo capítulo na otimização das linhas de transmissão de energia.

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