A angústia de venezuelanos no Brasil diante dos terremotos que devastaram a Venezuela
A Venezuela foi palco de dois devastadores terremotos nesta quarta-feira (24), com magnitudes de 7,2 e 7,5, que resultaram na morte de pelo menos 164 pessoas e deixaram mais de 10 mil desaparecidos, transformando cidades em cenários de destruição. No Brasil, a jornalista Paola Romero Cova, radicada em Presidente Prudente, interior de São Paulo, vivenciou momentos de profunda angústia ao tentar obter notícias de seus familiares e amigos afetados pelos abalos sísmicos, que são considerados os piores a atingir o país em um século. O relato de Paola oferece uma perspectiva humana sobre a tragédia, destacando a fragilidade da comunicação e a precariedade das condições de resgate.
O eco da devastação: o drama familiar na voz de Paola Romero Cova
Desde Presidente Prudente, Paola Romero Cova acompanhou com apreensão o desdobramento da catástrofe em sua terra natal. A dificuldade de comunicação com o país de origem foi um dos primeiros e mais dolorosos obstáculos. Durante horas, a jornalista perdeu o contato com um primo que estava em uma das regiões mais castigadas pelos tremores, vivenciando a incerteza sobre sua segurança. “Tenho um primo que estava desaparecido, mas a gente já conversou com ele e ele está bem. Mas, ele está bem afetado emocionalmente”, compartilhou Paola ao *g1*, revelando o alívio imediato misturado ao trauma persistente.
A dispersão de seus entes queridos em diferentes localidades da Venezuela trouxe distintas perspectivas sobre a extensão do desastre. Enquanto uma parte de sua família reside em uma área menos afetada pelos terremotos, outros parentes, que estudam próximo ao epicentro dos abalos, descreveram um panorama de caos e medo. “Foi muito feio. Muitas pessoas idosas não conseguiam sair, caíram muitas edificações e tem muita gente desaparecida. As pessoas estão até agora assustadas, por conta do que aconteceu e porque se esperam outras réplicas”, detalhou Paola, reforçando o clima de tensão que ainda paira sobre a população venezuelana.
A precariedade das condições após os sismos agravou a situação, dificultando ainda mais o contato com os familiares. Paola relatou que o fornecimento de energia elétrica e os serviços de internet foram severamente comprometidos em diversas áreas, isolando comunidades e famílias. “Caiu toda a rede elétrica e da internet”, afirmou. A isso somam-se as condições climáticas adversas, com longos períodos de chuva, que tornam a comunicação ainda mais intermitente e o resgate mais complexo, evidenciando as profundas dificuldades enfrentadas pela população. Para mais informações sobre a situação, veja também: <a href="https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2024/05/24/jornalista-venezuelana-que-vive-no-brasil-relata-medo-e-incerteza-sobre-situacao-do-pais-nunca-aconteceu-isso.ghtml" target="_blank">Jornalista venezuelana que vive no Brasil relata medo e incerteza sobre situação do país</a>.
Desafios e deficiências: o cenário de resgate e infraestrutura no país
Além dos danos diretos causados pelos terremotos, a jornalista pontuou as deficiências estruturais do país como um fator complicador para as operações de salvamento e assistência. Embora reconheça o empenho das forças de segurança e das equipes de socorro, Paola lamenta a falta de recursos e a infraestrutura inadequada para lidar com uma catástrofe de tamanha proporção. “Os centros de saúde não estão capacitados para o que aconteceu. O pessoal de resgate, a polícia, eu tenho certeza que estão fazendo o melhor que conseguem, mas não é mentira que tem muita falta de insumos e de pessoal capacitado para isso. Então deixa a situação pior”, expressou a venezuelana.
A situação de Paola Romero Cova reflete a de muitos venezuelanos que vivem fora do país e acompanham à distância o drama de sua nação. O sentimento de impotência é um fardo pesado para quem não pode intervir diretamente. “Muita impotência. É um país que já passou por tantas coisas, somos pessoas que já vivemos tempos bem difíceis, tristes, e quando você sente que até a natureza está tentando falar alguma coisa para nós, é difícil”, concluiu a jornalista, sintetizando a complexidade emocional de ver seu país natal ser novamente atingido por uma tragédia, após anos de crise econômica e social.
Contexto dos abalos sísmicos e as operações de emergência
Os dois abalos sísmicos de alta magnitude ocorreram na noite de quarta-feira (24), pouco depois das 19h (horário de Brasília), com menos de um minuto de diferença entre eles. O epicentro do terremoto principal foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 160 quilômetros da capital, Caracas. A intensidade dos tremores resultou no desabamento de diversos edifícios em Caracas e em outras cidades, gerando um cenário de emergência em várias localidades venezuelanas. Para um contexto mais aprofundado sobre eventos sísmicos, consulte dados sobre <a href="https://www.usgs.gov/" target="_blank">atividades sísmicas globais no USGS</a>.
Nas horas seguintes aos terremotos, o governo venezuelano registrou pelo menos 20 réplicas, o que manteve a população em estado de alerta máximo e dificultou o trabalho das equipes de resgate. As operações de busca por sobreviventes nos escombros se intensificaram, com mais de 500 equipes de emergência trabalhando incansavelmente para localizar pessoas soterradas. Imagens divulgadas pela imprensa e nas redes sociais mostram momentos de comemoração a cada vida resgatada, evidenciando a esperança em meio ao desespero que assola o país. Veja um registro desses esforços: <a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2024/05/25/terremoto-venezuela-resgates.ghtml" target="_blank">Venezuelanos comemoram resgates após terremoto</a>.
Até a última atualização das autoridades nesta quinta-feira (25), o número de mortos havia subido para 164, com 971 feridos confirmados. Contudo, o dado mais alarmante é o de mais de 10 mil pessoas que permanecem desaparecidas, o que sugere que o balanço final de vítimas poderá ser muito maior. O Itamaraty, por sua vez, informou na noite de quarta-feira que não havia notícias de brasileiros entre as vítimas dos terremotos, trazendo um alívio para a comunidade brasileira, mas sem diminuir a gravidade da crise humanitária que se instalou na Venezuela.
A tragédia dos terremotos na Venezuela revela não apenas a fúria da natureza, mas também as vulnerabilidades de uma nação já fragilizada. O relato de Paola Romero Cova, de Presidente Prudente, é um testemunho pungente da dor e da incerteza que se espalham, ecoando a voz de tantos que, do exterior, observam com o coração apertado o sofrimento de seus conterrâneos. A busca por desaparecidos continua, e a necessidade de apoio humanitário e infraestrutura robusta torna-se ainda mais evidente em um momento em que a resiliência do povo venezuelano é testada novamente. Acompanhe mais notícias e atualizações sobre este e outros temas em: <a href="https://g1.globo.com/" target="_blank">g1</a>.
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