Araçatuba reforça vacinação contra o sarampo em meio a alerta estadual
Araçatuba, no interior paulista, mantém um histórico positivo, sem registrar novos casos de sarampo desde 2020. Contudo, este cenário de tranquilidade é posto à prova diante de um alerta emitido pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo, que confirmou 15 novos casos da doença em diversas regiões neste ano. A Secretaria Municipal de Saúde de Araçatuba, em resposta, reforça a urgência em manter a população protegida.
O principal motivo da preocupação local reside na cobertura vacinal, que se encontra significativamente abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde. Este dado, somado à alta transmissibilidade do sarampo e à circulação do vírus em outras localidades do estado, acende um sinal de atenção para o risco de reintrodução da doença no município, sublinhando a importância da vacinação preventiva.
O alerta do CVE, divulgado na semana passada, não apenas trouxe à tona os 15 casos confirmados no estado, mas também orientou profissionais de saúde e educação a fortalecerem as ações de vigilância e prevenção. Esse movimento visa conter a propagação do vírus e evitar que novas cadeias de transmissão se estabeleçam, especialmente em comunidades com baixa imunização.
O sarampo é uma doença viral grave e altamente contagiosa, transmitida por meio do contato direto com gotículas respiratórias expelidas por uma pessoa infectada ao tossir, espirrar ou falar. Seus sintomas iniciais incluem febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, tosse persistente, coriza e conjuntivite. A evolução da doença pode levar a complicações sérias, como pneumonia, encefalite (inflamação do cérebro) e, em casos mais graves, até mesmo ao óbito. Diferentemente de muitas outras enfermidades, não existe um medicamento específico para tratar o sarampo, tornando a prevenção através da vacinação a estratégia mais eficaz e segura para combater a enfermidade.
Cobertura vacinal
Apesar do histórico recente sem casos, os dados da Vigilância Epidemiológica de Araçatuba revelam uma lacuna preocupante na proteção da comunidade. A cobertura da primeira dose da vacina tríplice viral está em 83,71%, e a da segunda dose em apenas 64,69%. Ambos os índices ficam aquém da meta de 95% recomendada pelo Ministério da Saúde para garantir a imunidade de rebanho.
Diante desse cenário, a diretora da Vigilância Epidemiológica, Priscila Cestaro, faz um apelo à população. “É fundamental que pais e responsáveis verifiquem a caderneta de vacinação das crianças e que adolescentes e adultos procurem uma unidade de saúde para atualizar o esquema vacinal sempre que necessário”, salientou, destacando a responsabilidade individual na saúde coletiva. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) estabelece um calendário claro para a vacinação contra o sarampo. A primeira dose da vacina tríplice viral, que confere proteção também contra caxumba e rubéola, deve ser aplicada aos 12 meses de idade. A segunda dose é recomendada aos 15 meses, preferencialmente utilizando a vacina tetraviral, que adiciona a proteção contra a varicela.
Para adolescentes e adultos, a recomendação varia. Pessoas na faixa etária de 5 a 29 anos devem ter recebido duas doses da vacina, enquanto a população entre 30 e 59 anos precisa ter ao menos uma dose documentada ao longo da vida. Os trabalhadores da saúde, por estarem mais expostos, também devem garantir duas doses do imunizante. É importante ressaltar que a vacina não é indicada para gestantes e imunossuprimidos. Para facilitar o acesso à imunização, as salas de vacinas das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Araçatuba funcionam de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. Além disso, unidades específicas como Morada dos Nobres, Planalto, Umuarama 2, Jardim TV, Etheucle Turrini e São José oferecem horário estendido, aplicando as doses até as 22h, visando atender àqueles com disponibilidade limitada durante o dia.
Escudo da comunidade
A médica infectologista da Secretaria Municipal de Saúde, Heloysa Liberatori Gimaiel, reforça a urgência da imunização. “Não existe medicamento específico para tratar o sarampo. Por isso, a vacinação continua sendo a forma mais segura e eficaz de prevenir o sarampo, evitando que ele volte a se espalhar”, explicou, enfatizando que a prevenção é a única ferramenta disponível.
A infectologista também destacou o conceito de imunidade de rebanho. “Além de prevenir o adoecimento, quando toda a comunidade é vacinada, pessoas que não podem se vacinar, como imunossuprimidos, acabam sendo protegidas também. Manter a cobertura vacinal elevada é fundamental para evitar a reintrodução da doença no município”, completou Heloysa, ressaltando o impacto social da vacinação.
A situação em Araçatuba serve como um lembrete contundente da importância ininterrupta da vacinação. Apesar da ausência de casos recentes, a vulnerabilidade imposta pela baixa cobertura vacinal, aliada ao ressurgimento da doença em outras partes do estado, exige uma ação imediata. A proteção contra o sarampo não é apenas um ato individual, mas um compromisso coletivo com a saúde pública.
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