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14 de August de 2026

Justiça condena caminhoneiro a 58 anos por feminicídio em Araçatuba

Araçatuba
14/08/2026 08:38
Redacao
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A cidade de Araçatuba foi palco de um julgamento marcante nesta quinta-feira (13), que culminou na condenação do caminhoneiro Bruno Henrique Brandão, de 37 anos, a uma pena de 58 anos e quatro meses de prisão em regime inicial fechado. A decisão, proferida pelo Tribunal do Júri, reconheceu o réu como culpado pelo feminicídio de sua companheira, Evelyn de Souza, de 41 anos, e pela subsequente ocultação de seu cadáver. Este veredito sublinha a gravidade da violência de gênero e o compromisso do sistema judiciário em punir tais crimes com rigor.

O crime, conforme a denúncia do Ministério Público, ocorreu em 2 de março de 2025, na residência do casal, situada na rua Antônio do Nascimento, no Jardim Etemp. Evelyn de Souza, vítima da brutalidade, era mãe de três filhos, sendo dois adolescentes e uma criança, o que adiciona uma camada de tragédia e impacto social à ocorrência. A motivação apontada para o ato hediondo seria ciúmes, um fator recorrente em casos de violência doméstica e feminicídio.

As investigações detalharam a sequência dos eventos que levaram à morte de Evelyn. Após uma discussão acalorada desencadeada por ciúmes, Bruno Henrique Brandão desferiu um soco no rosto da companheira. Na sequência, prosseguiu com a agressão, esganando-a até provocar sua morte por asfixia mecânica, uma modalidade de ataque que demonstra intenção direta e brutal de tirar a vida.

Com o assassinato consumado, o acusado empreendeu esforços para ocultar o crime. Ele teria colocado o corpo de Evelyn de Souza no porta-malas de um veículo Nissan Kicks, que pertencia à própria vítima. O destino escolhido para o abandono do cadáver foi uma plantação de cana-de-açúcar às margens da rodovia Elyezer Montenegro Magalhães (SP-463), numa tentativa de dificultar a localização e a identificação do corpo.

A estratégia de ocultação, contudo, falhou. Três dias após o crime, em 5 de março de 2025, o corpo de Evelyn foi descoberto por um funcionário de uma usina de álcool na região, desencadeando imediatamente as diligências policiais. A Polícia Militar já havia tido um contato indireto com o suspeito dias antes, quando Bruno havia sido abordado em um bar na rua do Fico, sob suspeita de portar arma e apresentar manchas de sangue, informações que se revelariam cruciais para a investigação.

A investigação

Com o desaparecimento de Evelyn e a descoberta do corpo, os policiais rapidamente estabeleceram uma conexão entre as informações da abordagem prévia e o caso de feminicídio. As equipes se dirigiram à residência do casal, onde encontraram vestígios de sangue no quarto e em objetos localizados no interior do veículo Nissan Kicks, evidências que fortaleceram a hipótese de crime e apontavam para Bruno como principal suspeito.

Pressionado pelas evidências e a robustez da investigação, Bruno Henrique Brandão acabou por confessar o crime. Em um passo decisivo para o processo, ele indicou aos policiais o local exato onde havia abandonado o corpo da companheira, confirmando os detalhes macabros de sua ação. A confissão do réu foi um elemento fundamental para a consolidação da materialidade e autoria do feminicídio e da ocultação de cadáver.

Durante o julgamento no Tribunal do Júri de Araçatuba, os jurados foram unânimes no reconhecimento da autoria e materialidade dos crimes, afastando qualquer possibilidade de absolvição. A qualificadora do feminicídio foi plenamente reconhecida, assim como o emprego da asfixia como meio cruel para a execução do assassinato. Além disso, foi considerada a causa de aumento de pena pelo fato de Evelyn ser mãe e responsável por três filhos, circunstância que agrava a conduta criminosa e seu impacto social.

Na fase de dosimetria da pena, a Justiça estabeleceu uma condenação de 56 anos de reclusão pelo crime de feminicídio. Para a ocultação de cadáver, foram acrescidos dois anos e quatro meses, somando a pena total de 58 anos e quatro meses de prisão.

A decisão judicial determinou a execução imediata da pena, mantendo o réu Bruno Henrique Brandão sob prisão preventiva e impondo o cumprimento inicial em regime fechado. Além da reclusão, o caminhoneiro também foi condenado ao pagamento de 23 dias-multa, conforme as disposições legais.

Impacto social

A condenação de Bruno Henrique Brandão representa um importante desfecho para um caso que chocou a comunidade de Araçatuba e o país, dada a crescente preocupação com a violência contra a mulher. O rigor da pena reflete a repulsa da sociedade e do sistema judicial frente a crimes de feminicídio, que não apenas ceifam vidas, mas desestruturam famílias e causam traumas duradouros. A memória de Evelyn de Souza e a situação de seus filhos servem como um lembrete pungente da urgência em combater a violência de gênero em todas as suas manifestações.

Este caso reafirma a importância da denúncia e da atuação das forças de segurança e da Justiça na proteção das vítimas. Para aprofundar-se em outros casos relevantes e entender mais sobre as leis que regem o combate à violência doméstica e familiar, [leia também sobre a legislação Maria da Penha](https://exemplo.com/legislacao-maria-da-penha) e [confira notícias sobre decisões recentes do Tribunal do Júri](https://exemplo.com/noticias-tribunal-do-juri). A informação é uma ferramenta crucial na prevenção e no enfrentamento desse tipo de criminalidade.



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