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22 de October de 2026

Feminicídio em são josé do rio preto: adolescente tenta salvar mãe de facadas do padrasto

Araçatuba
22/10/2026 13:32
Redacao

Em um cenário de brutalidade e desespero, uma adolescente de 15 anos protagonizou um ato de bravura e amor, arrombando a porta do quarto na tentativa de salvar a própria mãe, Elisângela Aparecida Matheus, de 51 anos, que estava sendo fatalmente esfaqueada pelo padrasto. O trágico evento, ocorrido na última quarta-feira (21) no bairro Parque Cidadania, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, ressalta a urgência e a gravidade da violência doméstica, especialmente os casos de feminicídio que continuam a assolar o país.

A jovem, cuja identidade foi preservada, relatou à TV TEM os momentos aterrorizantes que antecederam a morte da mãe. Ela ouviu a discussão entre Elisângela e o marido, Hiago Moreira Schnornberger, de 32 anos, antes de ambos se trancarem no cômodo. A casa abrigava também uma bebê de um ano, filha da irmã mais velha da adolescente, o que adiciona mais uma camada de vulnerabilidade à cena do crime.

A tragédia

Os gritos de socorro da mãe romperam o silêncio da residência, impulsionando a adolescente a agir imediatamente. Em um impulso desesperado, ela arrombou a porta e se deparou com a cena chocante do padrasto desferindo golpes de faca contra Elisângela. A coragem da filha a levou a intervir, batendo e empurrando Hiago na tentativa de cessar o ataque brutal. No entanto, a agressão já estava em estágio avançado, e o suspeito fugiu a pé e descalço, deixando a arma do crime na entrada da casa.

O momento da fuga de Hiago Moreira Schnornberger foi capturado por uma câmera de segurança, que se tornou prova material da autoria do crime. Até a última atualização desta reportagem, o homem permanecia foragido, intensificando a angústia da família e a busca incessante das autoridades. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado pela adolescente e, por cerca de 30 minutos, as equipes tentaram reanimar Elisângela, mas sem sucesso. A vítima faleceu no local.

Os detalhes

A dor e a revolta da adolescente são palpáveis em seu depoimento. “Eu tentei conversar com ela, mas ela não voltou. Não caiu a minha ficha ainda de que tudo isso aconteceu. Mas eu vi que ela estava sendo esfaqueada. Eu vi a faca e vi ele dando golpes nela. Estou sentindo muita raiva e ódio. Quero que ele seja punido pelo que fez com a minha mãe”, desabafou a jovem, expressando o luto e a sede de justiça que a consome. A imagem da mãe agonizando ficará gravada em sua memória, um trauma profundo que o tempo dificilmente apagará.

O crime em São José do Rio Preto, classificado como feminicídio, lança luz sobre a complexidade das relações abusivas e o comportamento predador de agressores. A investigação, conduzida pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade, tem revelado detalhes perturbadores que contextualizam a violência sofrida por Elisângela. A DDM atua incansavelmente para localizar o suspeito e garantir que a justiça seja feita. [LINK INTERNO para artigo sobre feminicídio na região]

A confiança

Um dos aspectos mais dolorosos da tragédia, conforme relatado pela adolescente, é a traição da confiança. “Eu confiava nele”, afirmou a jovem, descrevendo Hiago como alguém que parecia ser bom e prestativo. “Ele era muito bom, falava que eu podia contar com tudo com ele. Eu estava passando por um momento bem difícil também, e ele me ajudou a fazer orações. Eu confiava muito nele”, declarou. Essa dualidade entre a imagem pública do agressor e a realidade de seu comportamento violento é uma característica comum em muitos casos de violência doméstica, dificultando a percepção do perigo pelas vítimas e seus familiares.

A adolescente ainda revelou que o relacionamento entre a mãe e o padrasto era marcado por ciclos de manipulação. Ela ouviu Hiago chorando e implorando para que Elisângela não terminasse o relacionamento, um padrão de comportamento que se repetia. “Toda vez ele fazia essa cena de choro para ela voltar para ele. Aí ele pediu para ela entrar no quarto para conversar. Ela começou a gritar socorro e foi no momento em que eu saí correndo e arrombei a porta”, lamentou a jovem. A não aceitação do término do relacionamento é frequentemente um gatilho para a escalada da violência em casos de feminicídio.

A investigação

A delegada Karina Fernandes Melo Santana, responsável pela DDM, detalhou que o corpo de Elisângela apresentava ao menos três perfurações de faca, além de lesões de defesa nos braços e mãos. Essas marcas são um doloroso testemunho da luta da vítima para se proteger dos golpes, evidenciando a crueldade do ataque. A presença de tais lesões é um indicativo forense crucial que reforça a natureza violenta e premeditada do crime.

Familiares confirmaram à polícia que o casal estava junto há cerca de seis meses e que a união era permeada por ciúmes excessivos e crises de comportamento por parte do suspeito. Esse histórico de relacionamento conturbado é um alerta frequente em casos de feminicídio, onde padrões de controle e possessividade evoluem para agressões físicas e, em situações extremas, para o assassinato. A DDM de Rio Preto segue empenhada em reunir todas as provas e depoimentos para elucidar o caso e prender o agressor. [LINK EXTERNO para dados sobre violência doméstica no Brasil]

O feminicídio de Elisângela Aparecida Matheus é mais um triste capítulo na alarmante estatística de violência contra a mulher no Brasil. A coragem da filha em tentar salvá-la, embora infrutífera, destaca a inocência perdida e o trauma irreversível imposto a crianças e adolescentes que presenciam tais atrocidades. A busca por Hiago Moreira Schnornberger é prioritária para que a justiça seja feita e para que a família de Elisângela possa, eventualmente, encontrar algum consolo diante de tamanha dor. [CTA: Confira outras notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba]



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