Carregando...
07 de November de 2026

Gaeco denuncia ex-presidente da Câmara de Catanduva por lavagem de dinheiro milionária

Araçatuba
05/11/2026 20:02
Redacao

Em um desenvolvimento significativo que abala a esfera política de Catanduva, no interior de São Paulo, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) formalizou a denúncia contra o ex-presidente da Câmara Municipal, Marcos Aparecido Ferreira (PT), seu filho e ex-assessores parlamentares. O grupo é acusado do crime de lavagem de dinheiro, envolvendo um complexo esquema de desvio de verbas públicas que teria movimentado cerca de R$ 4 milhões.

A denúncia, divulgada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) na terça-feira (3), representa um marco nas investigações que culminaram na "Operação Rei do Pix". Essa operação, realizada em junho de 2026, buscou identificar e desmantelar o intrincado sistema de fraudes financeiras que teria ocorrido entre 2023 e 2024, período em que Ferreira esteve à frente do Poder Legislativo municipal.

Os nomes centrais na denúncia são os de Marcos Aparecido Ferreira, conhecido como Marquinhos Ferreira, ex-vereador e ex-presidente da Câmara no biênio 2023-2024, e seu filho, Marcos Aparecido Ferreira Filho, que atuava como ex-assessor parlamentar. Ambos são apontados como peças-chave na orquestração das manobras financeiras clandestinas destinadas a camuflar a origem ilícita dos valores.

Ao todo, sete indivíduos foram formalmente denunciados pelo Gaeco. Embora os nomes de outros assessores envolvidos no esquema não tenham sido detalhados publicamente, o Ministério Público confirmou a inclusão deles no processo. Essa medida ressalta a abrangência da investigação, que se estendeu para além dos líderes diretos, buscando desvendar toda a rede de colaboradores.

A alcunha "Rei do Pix" para a operação faz alusão ao apelido de um dos investigados nos corredores da Câmara de Catanduva, evidenciando a natureza moderna e ágil das transações ilícitas. As investigações apontam que, através de sofisticadas operações, os valores desviados dos cofres públicos atingiram a impressionante soma de, pelo menos, R$ 3,89 milhões, demonstrando a gravidade do impacto nos recursos municipais.

A investigação

A complexidade do esquema exigiu uma investigação minuciosa, que revelou como o dinheiro público era sistematicamente drenado e reinserido no circuito financeiro. Os promotores do Gaeco, em colaboração com outras forças de segurança e órgãos de controle, desnudaram uma série de estratégias empregadas para dissimular a origem fraudulenta dos bens e valores.

Uma das táticas identificadas foi o uso de "laranjas". Segundo as apurações, o capital desviado era direcionado para financiar empresas e para a aquisição, construção e reforma de imóveis de alto padrão. Essas propriedades, embora registradas em nome de terceiros, pertenciam de fato ao ex-presidente da Câmara, configurando uma clássica manobra de ocultação patrimonial.

Outra prática criminosa constatada foi a técnica conhecida como "smurfing". Nela, o grupo realizava depósitos bancários de valores abaixo do limite de alerta estabelecido pelos órgãos reguladores. Essa fragmentação intencional dos depósitos tinha como objetivo dificultar o rastreamento financeiro e evadir a detecção de atividades suspeitas pelas autoridades.

O esquema também se valia de um elaborado arranjo de "notas frias e repasses". Empresas de fachada, ou companhias que alteravam seus contratos sociais, simulavam a prestação de serviços fictícios ao Poder Legislativo de Catanduva. Emitiam notas fiscais fraudulentas, e uma porcentagem significativa – entre 90% e 95% – do valor liquidado era devolvida aos líderes do esquema, configurando um ciclo de fraude e desvio.

Um exemplo emblemático dessa prática envolveu uma empresa de fachada que teria recebido R$ 100 mil por um serviço de hidratação de poltronas de couro, que nunca foi efetivamente executado. Este caso ilustra a ousadia e a falsidade dos contratos firmados para legitimar o desvio de recursos, evidenciando o uso de artifícios para lesar o erário público.

A mobilização

A "Operação Rei do Pix" demonstrou a capacidade de articulação e a força-tarefa mobilizada pelo Ministério Público e pelas demais instituições. Na primeira fase da ação, um contingente expressivo foi empregado, incluindo 20 promotores de Justiça, 30 servidores do MPSP, 11 agentes da Receita Federal, mais de 200 policiais militares e três equipes da Polícia Civil, refletindo a seriedade e a amplitude da investigação. <a href='https://www.mp.sp.gov.br/portal/page/portal/MPSP/Imprensa/Noticias' target='_blank' rel='noopener'>Aprofunde-se nas ações do MPSP</a>.

A coordenação entre as diversas entidades de segurança pública e controle fiscal foi crucial para o sucesso da operação, permitindo a coleta de provas e a identificação dos envolvidos. A escala da mobilização ressalta a complexidade e a profundidade das irregularidades que estavam sendo combatidas, evidenciando a necessidade de uma resposta robusta por parte do Estado.

Como parte das medidas cautelares, a 1ª Vara Criminal de Catanduva determinou a indisponibilidade de bens dos investigados. O montante bloqueado pode atingir até R$ 20 milhões, conforme o grau de envolvimento atribuído a cada suspeito. Além disso, veículos e quantias em dinheiro foram apreendidos, visando assegurar o ressarcimento dos cofres públicos e evitar a dilapidação do patrimônio ilícito.

O Gaeco, em sua atuação, fez um requerimento à Justiça para que fosse decretado o confisco de bens, imóveis e empresas que foram comprovadamente vinculados à organização criminosa. Essa medida visa não apenas a recuperação dos valores desviados, mas também a descapitalização do grupo criminoso, impedindo que os recursos obtidos ilegalmente voltem a ser utilizados para fins ilícitos.

Adicionalmente, o Ministério Público solicitou a fixação de um valor para a reparação integral dos danos causados aos cofres públicos de Catanduva. Essa reparação busca restabelecer o prejuízo financeiro sofrido pela municipalidade, que afeta diretamente os serviços e investimentos em benefício da população local. <a href='https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2023/10/04/gaeco-denuncia-ex-presidente-da-camara-de-catanduva-filho-dele-e-assessores-por-lavagem-de-dinheiro-envolvendo-quase-r-4-milhoes.ghtml' target='_blank' rel='noopener'>Leia mais sobre o caso no G1</a>.

Perspectivas futuras

A denúncia do Gaeco marca o início de uma nova fase no processo judicial contra o ex-presidente da Câmara de Catanduva e os demais envolvidos. O sistema judiciário agora seguirá com a análise das provas e a manifestação das defesas, em um rito que busca a justiça e a punição dos responsáveis por atos de corrupção e desvio de dinheiro público. Os desdobramentos deste caso serão acompanhados de perto pela sociedade e pela imprensa, reforçando a vigilância sobre a gestão pública.

Ações como a "Operação Rei do Pix" e a subsequente denúncia do Ministério Público são fundamentais para o fortalecimento da transparência e da ética na administração. Elas enviam uma mensagem clara de que a impunidade não prevalecerá e que a malversação de recursos que deveriam ser destinados ao bem-estar coletivo será combatida com rigor. A expectativa é que o processo traga à tona todos os detalhes do esquema e assegure a devida responsabilização dos envolvidos.

Este caso em Catanduva serve como um lembrete contundente da importância de mecanismos de controle e fiscalização eficazes. A colaboração entre diferentes esferas do poder público, como o Ministério Público, a Receita Federal e as forças policiais, é crucial para desvelar e combater crimes de colarinho branco que, muitas vezes, operam de forma sigilosa e sofisticada. O desfecho dessas ações impacta diretamente a confiança da população nas instituições democráticas e na administração dos recursos públicos.

Para se manter atualizado sobre este e outros casos de combate à corrupção, <a href='https://seusite.com/noticias-catanduva' target='_blank' rel='noopener'>confira outras notícias da região</a> em nosso portal e acompanhe as atualizações das investigações. A informação é uma ferramenta essencial para a cidadania e a vigilância sobre os atos dos gestores públicos. <a href='https://seusite.com/politica-e-justica' target='_blank' rel='noopener'>Aprofunde-se no tema de política e justiça</a>.



Compartilhe esse post:


Top

Utilizamos cookies próprios e de terceiros para o correto funcionamento e visualização do site pelo utilizador, bem como para a recolha de estatísticas sobre a sua utilização.