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22 de August de 2026

Guimarães Ortega assume presidência e reativa Academia de Letras de Marília

Araçatuba
22/08/2026 09:46
Redacao
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O cenário cultural de Marília testemunha um momento de renovação com a reativação da Academia de Letras de Marília (ALM) e a posse do escritor e jornalista Luiz Fernando Guimarães Ortega como seu presidente. Morador de São José do Rio Preto, Ortega, figura proeminente no meio literário, assume oficialmente o cargo neste sábado (22), em um evento que celebra não apenas sua liderança, mas o resgate de uma instituição fundada por ele mesmo em 1978, que esteve inativa por décadas.

A nomeação de Guimarães Ortega para o posto de presidente carrega um simbolismo particular, conectando o passado glorioso da ALM com seu futuro promissor. Aos 70 anos, o escritor retorna às raízes da instituição que ajudou a criar, com a missão de revitalizar o ambiente literário da cidade e oferecer uma plataforma renovada para a produção e o debate intelectual.

Um retorno à origem

A história de Guimarães Ortega com a Academia de Letras de Marília remonta a 4 de abril de 1978, quando, ao lado de seu irmão José Henrique Guimarães Ortega e de outros oito notáveis escritores, incluindo o advogado Benjamin Soares de Azevedo, participou ativamente da fundação da instituição. Nascido em Marília, em 28 de dezembro de 1953, Ortega demonstrava desde cedo uma profunda conexão com as letras, que o levaria a ser um dos pilares da ALM em seus primórdios.

A academia, concebida para fomentar a literatura e a cultura na região, manteve-se em pleno funcionamento por alguns anos, até o início da década de 1980. Durante esse período inicial de atividade, os irmãos Luiz Fernando e José Henrique, em colaboração, lançaram a obra 'Dois Caminhos', que marcou a efervescência cultural da época. Contudo, com o passar dos anos e a dinâmica das mudanças, a instituição acabou desativada, permanecendo dormente por mais de quatro décadas.

A ideia de reativar a Academia de Letras de Marília ganhou força no final do ano passado, quando um grupo de escritores marilienses, interessados em reacender o movimento literário local, procurou Guimarães Ortega. A proposta, audaciosa e visionária, não era a de fundar uma nova entidade, mas sim a de restaurar e dar continuidade à academia original, honrando seu legado e sua história.

Nas primeiras reuniões que selaram o destino da instituição, os próprios pares indicaram Guimarães Ortega para liderar o complexo processo de reorganização. Embora tenha demonstrado relutância inicial em aceitar a grandiosa missão, Ortega, movido pelo clamor dos colegas e por seu próprio compromisso com a cultura, cedeu, assumindo a responsabilidade de dar nova vida à ALM.

Com a missão aceita, Ortega estabeleceu para si mesmo um prazo ambicioso de seis meses para colocar a Academia novamente em funcionamento pleno e regularizar toda a documentação necessária junto ao Cartório de Registro, Receita Federal e demais órgãos. De maneira surpreendente, o trabalho avançou muito mais rapidamente do que o previsto, e em menos de cinco meses, toda a burocracia já estava resolvida, pavimentando o caminho para a reativação.

A trajetória de um fazedor de histórias

A vida de Guimarães Ortega é um mosaico de experiências e paixões. Embora tenha deixado Marília ainda jovem para iniciar sua carreira no Banco do Brasil, passando por diversas agências antes de se aposentar como gerente em São José do Rio Preto, a literatura e a arte sempre foram um fio condutor em sua jornada, permeando suas escolhas e definindo sua identidade.

Desde a juventude, Ortega demonstrou um talento multifacetado. Cursou teatro em Marília, onde atuou como ator e diretor de peças, mergulhando no universo da dramaturgia. Em 1978, no mesmo ano da fundação da ALM, foi um dos laureados em um concurso literário promovido pelo Departamento de Cultura da Prefeitura de Marília, consolidando seu reconhecimento precoce no campo das letras.

Sua produção literária é vasta e diversificada, reunindo nove livros publicados que transitam entre a poesia, a ficção e a arte de contar histórias. Entre suas obras mais conhecidas, destacam-se 'Passaporte para o Inferno', 'Dois Caminhos', 'História do Cava', 'Escola de Moleque e Travessuras', 'Sombras em Tempo de Sonhar' e 'A Receita da Doutora Elizabeth', este último editado pela Editora Ativa, evidenciando sua versatilidade temática e estilo cativante.

Além das páginas dos livros, Guimarães Ortega também explorou com sucesso o universo da música. É autor de sambas-enredo que animaram escolas de samba e teve canções classificadas em diversos festivais musicais, demonstrando sua sensibilidade artística para além da palavra escrita e sua capacidade de dialogar com diferentes formas de expressão cultural.

Laços com São José do Rio Preto

Há mais de quatro décadas, Guimarães Ortega fixou residência em São José do Rio Preto, cidade pela qual desenvolveu um profundo elo afetivo e que se tornou palco de importantes capítulos de sua vida. Foi no município que ele cursou Jornalismo, aprofundando suas habilidades de comunicação, e em 2005, conquistou o prestigioso Programa Cultural Municipal Nelson Seixas, um reconhecimento significativo de seu talento.

Sua participação na comunidade rio-pretense sempre foi ativa e engajada, refletindo seu espírito cívico. Presidiu uma associação de moradores de bairro, atuando diretamente nas demandas locais, e integrou o Conselho Deliberativo do Rio Preto Esporte Clube, time pelo qual nutre uma paixão incondicional. Essa lealdade, no entanto, cria uma situação curiosa: em jogos entre Rio Preto e Marília, ele admite uma divertida divisão de torcida entre as duas cidades que moldaram sua trajetória.

A forte relação com São José do Rio Preto foi eternizada em um texto autobiográfico, intitulado “Minha História com São José do Rio Preto”, no qual Guimarães Ortega compartilha suas memórias e os vínculos profundos construídos com a cidade ao longo dos anos. Este relato pessoal serve como um testemunho da profunda conexão que o escritor mantém com a comunidade que o acolheu por tanto tempo. (Leia também: <a href="#" target="_blank" rel="noopener">Minha História com São José do Rio Preto</a>).

O futuro das letras marilienses

Com a documentação regularizada e a presidência assumida, Guimarães Ortega demonstra grande entusiasmo com a responsabilidade de guiar os próximos passos da Academia de Letras de Marília. Seus planos imediatos incluem a posse dos novos integrantes, a reformulação dos estatutos para adequá-los às normas vigentes e, posteriormente, a eleição e posse de uma nova diretoria que dará continuidade à gestão da instituição.

O desafio da distância física, cerca de 180 quilômetros entre Marília e São José do Rio Preto, não será um obstáculo para o novo presidente. As reuniões da Academia serão realizadas mensalmente em formato híbrido, garantindo a participação de membros tanto presencialmente quanto pela internet. "Temos vários integrantes que residem fora", explica Ortega, citando o jornalista Luiz Carlos Fassoni, que vive em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e que, segundo ele, não faltou a nenhuma das reuniões preparatórias.

A cerimônia deste sábado também marcará a oficialização de 19 novos acadêmicos, que trarão renovado vigor e perspectivas para a ALM. Cada um deles estará vinculado a um patrono, em uma tradição que honra grandes nomes da literatura e da cultura. Entre os novos membros e seus respectivos patronos, destacam-se: Márcio Cavalca Medeiros (Marcelino Medeiros), Carlos Henrique Poloni Bellini (Ruben Alves), Joyce Aparecida da Silva Linard (Lygia Bojunga), Angélica Furtado Masson (Ruth Rocha), Claudia Magali Luiz (Nise da Silveira), Ariane Medeiros (Zibia Gasparetto) e Wilza Aurora Matos Teixeira (Rosalina Tanuri Zaninotto), entre outros que se juntam a este seleto grupo.

A reativação da Academia de Letras de Marília, sob a liderança experiente de Guimarães Ortega, representa mais do que o retorno de uma instituição; é o renascimento de um polo cultural essencial para a cidade. O compromisso de Ortega em construir um ambiente inclusivo e dinâmico, adaptado aos tempos modernos, promete fortalecer a cena literária mariliense e fomentar novas gerações de escritores, consolidando a cultura como um pilar fundamental da comunidade.

Para se aprofundar em mais notícias sobre o universo literário e cultural da região, <a href="#" target="_blank" rel="noopener">confira outras matérias em nosso portal</a> e acompanhe as próximas publicações da Academia de Letras de Marília.



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