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02 de May de 2026

Simpósio celebra 25 anos do CECEP e avanços na cirurgia de epilepsia

Araçatuba
02/05/2026 09:46
Redacao
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A epilepsia, uma doença neurológica que afeta milhões de brasileiros, frequentemente transforma a vida de pacientes e suas famílias. Em meio a este desafio, avanços médicos e cirúrgicos têm oferecido novas perspectivas. Para celebrar um quarto de século de dedicação a essa causa, a Funfarme, em parceria com a Famerp, realizará o 5º Simpósio de Epilepsia, marcando os 25 anos de operação do Centro de Cirurgia de Epilepsia (CECEP) do Hospital de Base (HB) de Rio Preto. O evento, que ocorrerá nesta sexta-feira e sábado (1º e 2 de maio) no Centro de Convenções da Famerp, reunirá especialistas para discutir as mais recentes inovações em diagnóstico e tratamento, consolidando a ponte entre a pesquisa científica e a prática clínica.

Desde sua fundação, o CECEP se consolidou como uma referência nacional, com um histórico impressionante de mais de 1.200 procedimentos cirúrgicos realizados e a avaliação de mais de 5 mil pacientes. Estes números não apenas refletem a expertise da equipe, mas também a crescente demanda por tratamento especializado. O complexo Funfarme tem observado um aumento significativo nos atendimentos e internações de pacientes com epilepsia, o que sublinha a relevância contínua do trabalho desenvolvido.

A incidência da doença, inclusive entre crianças e jovens, tem gerado um aumento notável na busca por auxílio médico. Somente nos últimos quatro anos, o número total de atendimentos ambulatoriais, de urgência e internações no HB e no Hospital da Criança e Maternidade (HCM) saltou 31%, passando de 2.612 em 2022 para 3.436 no ano passado. Tal crescimento demonstra a necessidade urgente de centros especializados e a importância de eventos como o simpósio para a troca de conhecimentos e aprimoramento das abordagens terapêuticas.

Com cerca de 3 milhões de brasileiros vivendo com epilepsia, a condição, que se manifesta por crises variando de episódios de ausência a convulsões, impacta profundamente a qualidade de vida. O estigma social associado à doença, somado ao risco de acidentes e até de morte súbita quando as crises não são controladas, reforça a urgência de um diagnóstico preciso e de tratamentos eficazes. Felizmente, o campo da medicina tem evoluído consideravelmente, com novas terapias e técnicas cirúrgicas que oferecem esperança.

Conforme explica o neurocirurgião funcional doutor Carlos Rocha, aproximadamente 70% dos pacientes conseguem controlar a doença com o uso de medicamentos. No entanto, uma parcela considerável, cerca de 30%, apresenta formas resistentes de epilepsia, para as quais a intervenção cirúrgica pode ser a alternativa mais eficaz. “A epilepsia é uma doença altamente estigmatizante, com risco de acidentes e até morte súbita quando não controlada. O avanço no diagnóstico e nas técnicas cirúrgicas tem impacto direto na qualidade de vida desses pacientes”, afirma o doutor Rocha.

Diagnóstico avançado

A existência de um centro especializado como o CECEP é fundamental para o panorama da saúde no país. Segundo o diretor executivo da Funfarme, doutor Horácio Ramalho, a integração do CECEP com a estrutura do Hospital de Base e do Hospital da Criança e Maternidade permite oferecer um tratamento abrangente. “Ter um centro especializado como o CECEP, integrado a toda estrutura do HB e do HCM, permite oferecer um tratamento completo, desde o diagnóstico até a cirurgia. Isso impacta diretamente na qualidade de vida dos pacientes, que passam a ter mais controle das crises e mais autonomia no dia a dia”, ressalta o diretor executivo.

Um dos destaques na atuação do complexo Funfarme é o foco nos atendimentos e cirurgias pediátricas. O Hospital da Criança e Maternidade (HCM) registrou um aumento impressionante de 575% nas cirurgias de epilepsia em quatro anos, passando de apenas quatro procedimentos em 2021 para 27 em 2024. Este salto expressivo é atribuído, em parte, à recuperação da demanda após o período da pandemia, que pode ter comprometido a realização de procedimentos em anos anteriores. Além disso, os atendimentos ambulatoriais para crianças cresceram 30%, de 1.779 em 2022 para 2.320 em 2024, evidenciando a crescente necessidade de atenção para a epilepsia infantil.

No HCM, o tratamento da epilepsia infantil foca em casos frequentemente associados a malformações cerebrais, prematuridade ou displasias. A intervenção precoce é crucial, como enfatiza o neurocirurgião pediátrico doutor Gustavo Botelho Sampaio. “A cada crise, há perda de neurônios. Isso pode comprometer o desenvolvimento da criança e gerar impactos para toda a vida. O tratamento adequado, incluindo a cirurgia, reduz esses danos e melhora significativamente a evolução do paciente”, explica o especialista. A compreensão da urgência e a capacidade de intervir precocemente são vitais para preservar o desenvolvimento neurológico e cognitivo das crianças.

O cenário de aumento na demanda e nos procedimentos para epilepsia, tanto em adultos quanto em crianças, reflete a conscientização crescente sobre a doença e a confiança nos avanços médicos. A capacidade de centros como o CECEP de oferecer um tratamento de ponta não só melhora a qualidade de vida individual, mas também tem um impacto significativo na saúde pública. Ao gerenciar a doença e reduzir o número de crises, os pacientes podem se reintegrar mais plenamente à sociedade, estudar, trabalhar e ter uma vida mais autônoma, aliviando o fardo sobre os sistemas de saúde e sociais. <a href="https://www.funfarme.com.br/noticias-saude-cerebral">Leia mais sobre saúde cerebral no nosso portal.</a>

Os resultados dessas abordagens inovadoras e o empenho das equipes médicas traduzem-se em histórias reais de superação, onde a esperança e a qualidade de vida são restauradas. A decisão pela cirurgia é um passo significativo, e o acompanhamento pós-operatório é igualmente crucial para garantir o sucesso do tratamento e a adaptação do paciente a uma nova realidade, com menos crises e mais possibilidades.

Vidas transformadas

Entre as muitas vidas transformadas pelo CECEP está a do pequeno Kaleb Ribeiro de Carvalho, hoje com 7 anos. Há três anos, ele passou por uma cirurgia que trouxe uma mudança drástica. Antes do procedimento, sua mãe, Marcilia da Silva Ribeiro de Carvalho, relata que Kaleb vivia com quedas frequentes e muitos machucados, uma realidade dolorosa para a família. “Hoje o Kaleb passa de dois a três dias sem crises. Antes, ele só vivia no chão por medo de cair. Agora ele estuda, interage com outras crianças, faz terapias e tem qualidade de vida. A cada dia ele mostra que a vida vale a pena”, emociona-se a mãe, testemunhando a recuperação e o novo horizonte do filho.

No universo dos adultos, a história do engenheiro civil Willian Stuque Primo, de 34 anos, também inspira. Antes de sua cirurgia, realizada em novembro de 2023, Willian chegava a ter até 12 crises epilépticas em uma única noite, uma situação que comprometia severamente sua rotina e bem-estar. Após o procedimento, o cenário mudou radicalmente: em quatro meses, ele teve apenas uma crise leve. “A cirurgia foi um sucesso. Minha recuperação foi muito boa, voltei ao trabalho após 100 dias e hoje estou bem, sem problemas. Isso me dá confiança para mostrar para outras pessoas que é possível melhorar”, afirma Willian, exemplificando a eficácia e o poder transformador das intervenções cirúrgicas especializadas.

Esses relatos são a prova viva do impacto profundo que a medicina e a dedicação de centros como o CECEP têm na vida das pessoas. O simpósio não é apenas uma plataforma para a discussão de avanços técnicos; é também uma celebração da esperança e da resiliência humana diante de uma doença complexa. Ao longo de 25 anos, o CECEP tem sido um farol, iluminando o caminho para pacientes e suas famílias, oferecendo não apenas tratamento, mas também a possibilidade de uma vida plena e com dignidade.

O 5º Simpósio de Epilepsia, portanto, reitera o compromisso da Funfarme e da Famerp com a pesquisa, o ensino e, sobretudo, com a assistência humanizada. A continuidade desses esforços é essencial para que mais pacientes possam se beneficiar dos tratamentos disponíveis e para que a epilepsia seja cada vez mais compreendida e menos estigmatizada. A troca de conhecimentos e a formação de novas gerações de especialistas são a garantia de um futuro com mais qualidade de vida para milhões de brasileiros. <a href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/epilepsy">Saiba mais sobre epilepsia na Organização Mundial da Saúde.</a>

Para mais informações sobre o simpósio e os avanços no tratamento da epilepsia, continue acompanhando as publicações da Funfarme e da Famerp. Confira outras notícias sobre saúde e bem-estar em nosso site.



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