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23 de April de 2026

Suspeito de mega-assalto ao Banco Central é preso no interior de São Paulo

Araçatuba
12/04/2026 20:01
Redacao
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A mais de 1.800 quilômetros de onde um dos crimes mais audaciosos da história do Brasil chocou a nação, um desdobramento inesperado traz à tona a memória do mega-assalto ao Banco Central de Fortaleza, ocorrido em 2005. Um homem de 64 anos, com identidade falsa e extensa ficha criminal, foi detido em Catanduva, interior de São Paulo, no último sábado (11/4), sob suspeita de envolvimento no furto que movimentou quase R$ 165 milhões.

A prisão, realizada pela Polícia Militar, remete a uma das maiores investigações criminais do país, evidenciando que, quase duas décadas depois, a busca por justiça e a responsabilização dos envolvidos ainda persistem. O suspeito, que era procurado pela Justiça, tinha em seu histórico passagens por roubos, sequestros e ataques a carros-fortes, características que se alinham ao perfil da quadrilha que orquestrou o crime milionário no Ceará.

O fato sublinha a complexidade e a resiliência das forças de segurança na caça a criminosos de alta periculosidade, mesmo após longos períodos de ocultação. O caso reacende o interesse público sobre um evento que marcou época, tanto pela audácia quanto pela engenhosidade dos ladrões.

Detalhes da prisão

A operação que resultou na captura do indivíduo de 64 anos ocorreu na noite de sábado (11) em Catanduva, uma cidade pacata no noroeste paulista. A Polícia Militar agiu com base em informações que indicavam a presença de um foragido da Justiça. Ao abordarem o suspeito, os policiais constataram que ele portava documentos falsos, uma tática comum entre criminosos que buscam se esquivar da lei.

A verificação da identidade verdadeira revelou a conexão com o furto ao Banco Central e sua condição de procurado, que incluía uma série de delitos graves, indicando um histórico de participação em ações de grande envergadura no mundo do crime. Após ser detido, o homem foi imediatamente encaminhado ao Plantão Policial de Catanduva, onde permaneceu à disposição das autoridades para as devidas providências legais.

Mega-assalto

O ano de 2005 presenciou um dos episódios mais espetaculares da criminalidade brasileira. Na madrugada de 6 de agosto, a caixa-forte do Banco Central em Fortaleza foi alvo de um furto qualificado que entrou para a história como o maior do país. A quantia de quase R$ 165 milhões em notas usadas foi levada, sem um único disparo ou acionamento de alarme, em uma ação que beirou a perfeição técnica e a discrição.

O crime, digno de roteiro cinematográfico, obteve repercussão internacional e desafiou as autoridades brasileiras a decifrar uma trama complexa e ambiciosa. A magnitude do valor subtraído e a forma como a quadrilha operou transformaram o evento em um marco negativo para a segurança pública e para a imagem das instituições financeiras no Brasil.

Minuciosa engenharia

Para executar o plano, os criminosos alugaram uma casa na Rua 25 de Março, no centro de Fortaleza, que serviu como fachada. No local, estabeleceram uma suposta empresa de venda de grama sintética, uma estratégia para justificar o intenso movimento e as atividades de escavação que duraram cerca de três meses. Era ali que o túnel, com aproximadamente 80 metros de comprimento, estava sendo meticulosamente construído.

A passagem subterrânea era uma obra de engenharia clandestina, equipada com sistema de iluminação elétrica e até ar-condicionado, e contava com revestimento em colunas e vigas de madeira para evitar desabamentos. A complexidade da estrutura revelava o planejamento detalhado e o vasto conhecimento técnico dos envolvidos.

O túnel levava diretamente à sede do banco, permitindo que os criminosos acessassem o cofre durante um fim de semana, quando o local estava vazio. A ausência de violência ou sinais de arrombamento dificultou a detecção imediata, e o crime só foi descoberto no início do expediente da segunda-feira seguinte, 8 de agosto de 2005, revelando a audácia da operação.

Investigação e a Justiça

A investigação do mega-assalto ao Banco Central mobilizou a Polícia Federal em uma das maiores operações já vistas. Estima-se que mais de 120 pessoas estiveram envolvidas no esquema. Ao longo dos anos, a Justiça Federal no Ceará conduziu 28 processos, resultando na condenação de 119 réus, alguns deles em múltiplas acusações, por crimes como furto qualificado, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, porte ilegal de arma, uso de documento falso e extorsão mediante sequestro.

As penas impostas variavam consideravelmente, de 3 a impressionantes 170 anos de prisão, refletindo a individualidade das participações e a gravidade dos delitos. No entanto, a saga judicial se estendeu por instâncias superiores, com recursos no Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Esse processo resultou na absolvição de pelo menos 24 condenados em primeira instância e na redução da pena para outros 55, demonstrando a intrincada natureza do sistema legal brasileiro.

Saga do mentor

Um dos nomes centrais e mais notórios associados ao mega-assalto é Antônio Jussivan Alves dos Santos, conhecido como ‘Alemão’, apontado como o mentor da engenharia criminosa. Ele permanece detido no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná, uma unidade de segurança máxima que abriga criminosos de alta periculosidade.

‘Alemão’ teve um histórico de transferências prisionais, passando por unidades em São Paulo e Ceará. Em agosto de 2017, enquanto estava na Penitenciária Francisco Hélio Viana de Araújo, em Pacatuba (CE), uma tentativa ousada de resgate de internos, incluindo ele, foi frustrada. O episódio culminou em um intenso tiroteio entre criminosos e forças de segurança, no qual Jussivan foi baleado com três tiros no abdômen, sendo hospitalizado antes de ser transferido, em dezembro de 2017, para o presídio federal no Paraná.

Ele foi condenado pelos crimes de furto, formação de quadrilha e uso de documento falso, e sua permanência em uma unidade federal reflete a avaliação de sua periculosidade e a necessidade de um regime prisional rigoroso.

Memória e lições

A prisão do suspeito em Catanduva, quase duas décadas após os fatos, serve como um lembrete vívido da persistência das investigações e da longa sombra que crimes de tamanha magnitude projetam sobre a sociedade. O mega-assalto ao Banco Central de Fortaleza permanece como um estudo de caso sobre a audácia criminosa e a complexidade de desvendar e punir redes de crime organizado.

À medida que 2025 se aproxima, marcando os 20 anos do evento, a história continua a ser escrita, com cada nova prisão ou desdobramento judicial reforçando a mensagem de que, na busca pela justiça, o tempo pode ser um fator crucial, mas não um impedimento. O episódio, embora um marco doloroso, também ressalta a capacidade de resposta e a resiliência das instituições brasileiras em enfrentar desafios complexos na segurança pública.



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