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07 de July de 2026

Mercado de chocolate: ascensão e sabor no Brasil

Marília
07/07/2026 11:16
Redacao
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O chocolate, um produto intrínseco à cultura e ao paladar brasileiro há décadas, consolida sua presença no país com um mercado dinâmico e uma cadeia produtiva completa. O Brasil destaca-se globalmente por reunir todas as etapas, desde o cultivo do cacau pelos produtores até a moagem e a transformação final nas indústrias de chocolate, um diferencial competitivo que impulsiona o setor.

A relevância do produto na rotina dos brasileiros é inegável, como ressalta Jaime Recena, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab). Em entrevista à Agência Brasil, no Dia Mundial do Chocolate (7 de maio), Recena afirmou: “Chocolate faz parte do nosso dia a dia. Todo mundo tem o seu preferido mas, a cada ano, a indústria, sempre atenta à inovação e ao mercado, disponibiliza muitas novidades para atender um pouco da expectativa dos consumidores”.

Os números confirmam a pujança do setor. Em 2024, a produção nacional atingiu 805 mil toneladas. Esse volume subiu para 814 mil toneladas no ano passado, indicando uma trajetória de crescimento consistente. Embora os dados finais para 2026 ainda não estejam fechados, a expectativa do presidente da Abicab é de que a produção continue sua expansão ascendente, refletindo a crescente demanda e o dinamismo da indústria.

Essa ascensão é notável em um cenário onde o chocolate se torna cada vez mais acessível. Recena destacou que, a despeito dos desafios logísticos impostos pelas dimensões continentais do Brasil, o chocolate de fabricação nacional está presente em praticamente todos os municípios. “Mesmo nas menores cidades brasileiras, há sempre um mercadinho vendendo o chocolate nacional”, exemplifica, sublinhando a capilaridade da distribuição.

O foco principal da produção se mantém no atendimento ao mercado doméstico, um fator crucial para a solidez da indústria. Dados da Kantar/Ibope revelam que o setor alcançou um movimento financeiro expressivo de R$ 42,5 bilhões em 2025. Esse desempenho foi significativamente impulsionado por segmentos como os chocolates finos, pela constante inovação e pela demanda crescente dos consumidores fora do tradicional período da Páscoa.

Consumo interno

O consumo per capita de chocolate no Brasil ronda os 4 quilos por ano. Ao comparar esse índice com mercados mais maduros, como os da América do Norte e Europa, onde a média varia entre 9 e 10 quilos anuais, o presidente da Abicab enxerga um vasto potencial para o aumento do consumo. “O Brasil tem totais condições de aumentar esse consumo”, afirmou Recena, apontando para um futuro promissor para o mercado de chocolate no Brasil.

A indústria, atenta a essa oportunidade, investe continuamente em inovação e diversificação de produtos. Lançamentos de novidades são uma constante, buscando não apenas atender, mas superar as expectativas dos consumidores. A variedade de formatos, sabores e concentrações de cacau tem sido um motor para que o chocolate se torne ainda mais presente e desejado em diferentes ocasiões de consumo, reforçando sua posição como um item acessível a todas as faixas de renda.

A Páscoa, tradicionalmente, funciona como um pico de vendas e lançamentos para o setor. No entanto, o crescimento fora desse período sazonal demonstra uma mudança no comportamento do consumidor, que busca o chocolate para momentos de prazer diários, e não apenas em datas especiais. Esse cenário reforça a necessidade de a indústria manter um ritmo contínuo de novação e oferta de produtos diversificados para o mercado de chocolate no Brasil.

A popularidade dos chocolates finos, com maior percentual de massa de cacau, tem contribuído para elevar o padrão de exigência dos consumidores e impulsionar a percepção de valor do produto. Essa tendência estimula as empresas a investir em matérias-primas de qualidade e em processos de fabricação diferenciados, agregando ainda mais valor à oferta nacional e fortalecendo o mercado de chocolate no Brasil.

A versatilidade do chocolate o torna um item presente em diversas culturas e celebrações, transcendo fronteiras e gerações. No contexto brasileiro, sua capacidade de adaptação aos gostos locais, seja em versões mais doces ou em combinações com frutas típicas, é um dos segredos de seu sucesso e de sua duradoura permanência no coração dos consumidores. <a href="https://www.agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2023-07/cultivo-de-cacau-orgânico-traz-benefícios-para-meio-ambiente-e-produtores" target="_blank" rel="noopener">Saiba mais sobre a produção sustentável de cacau.</a>

Fluxo externo

Além de abastecer o mercado interno, o chocolate brasileiro tem conquistado espaço significativo no cenário internacional. De acordo com dados do ComexStat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as exportações de chocolate alcançaram 37,8 mil toneladas em 2025, gerando uma receita de US$ 210,2 milhões. Esses produtos são direcionados a um universo de aproximadamente 168 países, demonstrando a ampla aceitação da produção nacional.

No mesmo ano, a importação de chocolate totalizou 19,8 mil toneladas, correspondendo a uma receita de US$ 227 milhões. Essa dinâmica de comércio exterior reflete a globalização do setor e a interação do Brasil com outros mercados. No primeiro trimestre de 2026, as exportações de chocolates mantiveram um ritmo aquecido, atingindo 7,7 mil toneladas e US$ 47 milhões, enquanto as importações somaram 4,7 mil toneladas, totalizando US$ 57 milhões. A balança comercial do período registrou um superávit de 3 mil toneladas.

O cacau, matéria-prima essencial, também figura proeminentemente na balança comercial brasileira. Em 2025, a exportação de cacau resultou em US$ 603,1 milhões, com um volume de 53,5 mil toneladas. No entanto, o país também é um importador relevante, adquirindo 93,7 mil toneladas no mesmo ano, totalizando US$ 699,2 milhões. No primeiro trimestre de 2026, as exportações de cacau chegaram a 12,7 mil toneladas (US$ 108,4 milhões), e as importações foram de 32,9 mil toneladas (US$ 209,1 milhões).

Jaime Recena informou que a América Latina, com destaque para Argentina, Chile e Paraguai, continua sendo um destino importante para o chocolate brasileiro. Contudo, a indústria tem direcionado um olhar mais atento para o mercado europeu, especialmente após a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. As vendas para o mercado árabe também apresentam crescimento significativo, indicando a diversificação dos parceiros comerciais.

Um programa de longa data, com mais de 20 anos, desenvolvido em parceria pela Abicab e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), tem sido fundamental para abrir novos mercados, especialmente para pequenos fabricantes. Essa iniciativa visa promover a exportação de chocolates com maior percentual de massa de cacau e aqueles que incorporam frutos característicos do país, valorizando a identidade brasileira e impulsionando o mercado de chocolate no Brasil. <a href="https://www.gov.br/apexbrasil/pt-br/noticias/programas-e-projetos/apex-brasil-e-abicab-promovem-chocolates-e-balas-do-brasil-na-ism-na-alemanha" target="_blank" rel="noopener">Conheça a atuação da Apex-Brasil no setor.</a>

Impacto social

A indústria de chocolates associada à Abicab desempenha um papel fundamental na geração de empregos, com cerca de 450 mil postos de trabalho em todo o país. A Páscoa, em particular, é um período de grande movimentação e serve como porta de entrada para muitos profissionais no setor, com uma taxa de empregabilidade de 30% dos trabalhadores temporários. Esse dado ilustra a relevância social e econômica do setor para diversas famílias brasileiras.

Na Páscoa de 2026, o número de empregos temporários registrou um aumento expressivo, passando de 9.946 vagas no ano anterior para 14.558. Esse crescimento robusto é um indicador claro de que o setor está aquecido, com desempenho positivo junto aos consumidores e à população. Conforme avalia Jaime Recena, “a Páscoa é um momento de oportunidade e nossa principal ocasião de consumo. É uma ocasião não só de empregos temporários, mas de lançamento de novidades pelo setor”.

A inovação é uma constante, e a Páscoa de 2026 testemunhou o lançamento de mais de 130 novos produtos, refletindo o compromisso da indústria em oferecer novidades e manter o engajamento dos consumidores. Segundo Recena, a indústria de chocolate está sempre atenta, buscando inovações que possam agregar valor e, em suas palavras, “deixar o dia a dia dos consumidores mais feliz”. Essa dedicação à qualidade e à diversidade de produtos garante que o chocolate continue sendo um item acessível e disponível para todas as faixas de renda, solidificando seu status como uma verdadeira mania nacional e um pilar do mercado de chocolate no Brasil. <a href="/categoria/economia" target="_blank">Explore outras notícias sobre a economia brasileira.</a>



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