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24 de June de 2026

Ocupação de pessoas 60+ no brasil avança com desafios da informalidade

Marília
11/06/2026 18:46
Redacao
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O mercado de trabalho brasileiro tem testemunhado uma mudança demográfica notável: a ascensão da força de trabalho com 60 anos ou mais. Nos últimos dez anos, o número de profissionais desta faixa etária saltou impressionantes 53%, um ritmo de crescimento que supera o envelhecimento natural dessa parcela da população e, inclusive, a expansão do emprego para grupos mais jovens. Contudo, essa inserção vem acompanhada de uma preocupante tendência: o aumento da informalidade, expondo esses trabalhadores à vulnerabilidade, sem os direitos e proteções trabalhistas essenciais.

A constatação, divulgada em um estudo recente da empresa de pesquisa e inteligência de dados Nexus, acende um alerta sobre a necessidade de políticas públicas e adaptações estruturais para garantir um envelhecimento ativo com dignidade. Enquanto a capacidade produtiva dos sessenta mais é um ponto a ser celebrado, a precarização das condições de trabalho levanta questões importantes sobre o futuro da aposentadoria e da segurança financeira no Brasil.

Dados da transformação

A pesquisa da Nexus, baseada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que o contingente de pessoas com 60 anos ou mais no mercado de trabalho cresceu de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões no período analisado, entre 2016 e 2025. Esse aumento de 53% é significativamente maior do que o crescimento de 37% da própria população 60+ no país, que passou de 25,8 milhões para 35,2 milhões de pessoas, representando 17% do total, comparado aos 13% anteriores.

Esses números indicam que a taxa de ocupação para esta faixa etária também cresceu, atingindo 25% no final do ano passado – o maior índice da década, superando os 22% registrados em 2016. Em contraste, a população geral brasileira expandiu-se apenas 5% (de 203,2 milhões para 212,6 milhões) no mesmo período, enquanto o número total de empregos no país cresceu 14,6%, alcançando a marca de 103 milhões de trabalhadores. A ocupação sênior, portanto, demonstra um dinamismo particular.

Visão do especialista

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, descreve esse cenário como um “copo meio cheio, meio vazio”. Em entrevista à <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Agência Brasil</a>, ele pontua que, por um lado, é motivo de celebração a capacidade ativa de pessoas com 60, 70 anos ou mais de se manterem produtivas. Essa vitalidade contribui para a economia prateada, um setor em crescimento impulsionado por consumidores e empreendedores 60+.

Por outro lado, Tokarski alerta para a precarização de um período que, idealmente, seria dedicado à aposentadoria. Ele exemplifica com pessoas de 75 anos que, em tese, já deveriam estar usufruindo de seu descanso, mas que, na prática, frequentemente precisam continuar trabalhando para complementar a renda, um sinal de desafios socioeconômicos persistentes no país. Essa realidade levanta discussões sobre o papel do governo e das empresas na promoção de condições de trabalho mais justas para os mais velhos.

Reformas e impactos

Um dos fatores que explicam o aumento de pessoas 60+ no mercado de trabalho é a reforma da Previdência, implementada em 2019. Tokarski avalia que, embora o grau exato de influência não seja totalmente quantificado, a elevação da idade mínima e do tempo de contribuição forçou muitos a estenderem sua jornada laboral. A medida, justificada pelo argumento de equilibrar as contas públicas, alterou significativamente as regras para a aposentadoria.

Anteriormente, mulheres podiam se aposentar com 60 anos, e não havia idade mínima para aposentadoria por tempo de contribuição para ambos os sexos. Com a reforma, a exigência passou para 62 anos de idade e 15 anos de contribuição para mulheres, e 65 anos de idade com 20 anos de contribuição para homens. Para estes, a idade mínima não sofreu alteração, mas o tempo de contribuição tornou-se um fator limitante.

Escalada da informalidade

O estudo da Nexus também revela um dado alarmante sobre a ocupação sênior: mais da metade (53%) dos trabalhadores 60+ estão na informalidade. Este índice é significativamente superior ao da população geral, que registra 38% de trabalhadores informais, e até mesmo ao dos jovens de 18 a 24 anos, com 41%. A informalidade, segundo o IBGE, abrange empregados sem carteira assinada e autônomos sem CNPJ, por exemplo.

A falta de formalização priva esses trabalhadores de direitos fundamentais, como férias remuneradas, contribuição para a Previdência Social e décimo terceiro salário. Marcelo Tokarski classifica essa informalidade como uma característica estrutural do emprego 60+, indicando uma clara precarização. Ele argumenta que, diferentemente dos jovens, que muitas vezes podem focar nos estudos ou prolongar a busca pela vaga ideal, o trabalhador com mais de 60 anos migra rapidamente para a informalidade, pois não pode se dar ao luxo de permanecer desocupado.

Caminhos para dignidade

A pesquisa conclui que a sustentabilidade econômica do país, frente ao envelhecimento populacional, depende urgentemente de políticas públicas de incentivo à formalização. Além disso, é crucial uma revisão das estruturas corporativas, que devem considerar ergonomia, benefícios adequados e a promoção da inclusão geracional. O objetivo é assegurar que o aumento da participação 60+ no mercado de trabalho seja sinônimo de valorização e não de vulnerabilidade.

O envelhecimento da população é uma realidade global, e o Brasil precisa se adaptar para transformar esse desafio em uma oportunidade de desenvolvimento social e econômico, garantindo que o direito ao trabalho seja acompanhado pelo direito à dignidade. Para mais informações sobre o tema, <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-03/populacao-no-brasil-cresce-em-ritmo-menor-e-esta-envelhecendo" target="_blank" rel="noopener">confira outras notícias relacionadas</a> à população no Brasil e à economia prateada.



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