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17 de May de 2026

Refinarias da Petrobras operam acima da capacidade e fortalecem produção nacional

Marília
17/05/2026 18:47
Redacao
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Em um momento estratégico para o Brasil, que busca reduzir sua dependência do volátil cenário energético global, as refinarias da Petrobras anunciaram um desempenho notável. Recentemente, a presidente da companhia, Magda Chambriard, confirmou que as unidades de refino da estatal estão operando acima de sua capacidade nominal, uma marca significativa para a segurança e soberania energética do país. Esta performance não só reflete a eficiência operacional, mas também a resiliência da infraestrutura brasileira frente aos desafios dos conflitos geopolíticos e da dinâmica de preços internacionais.

A informação foi divulgada durante a apresentação do balanço trimestral da Petrobras, onde dados detalhados revelaram um Fator de Utilização Total (FUT) surpreendente. O diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, complementou as declarações, oferecendo uma visão aprofundada sobre os resultados e as estratégias que impulsionaram este recorde.

Atingindo a capacidade máxima de refino

O Fator de Utilização Total (FUT) é o principal indicador para medir a eficiência das refinarias, representando a relação entre o volume de petróleo processado e a capacidade de referência instalada. No primeiro trimestre deste ano, o FUT das refinarias da Petrobras alcançou 95%, um patamar elevado. Contudo, em março, o índice subiu ainda mais, atingindo 97,4%, o maior desde dezembro de 2014, conforme as demonstrações da companhia.

A surpresa veio com a projeção para os meses subsequentes. Magda Chambriard antecipou, em teleconferência com investidores e analistas, que em abril e maio o FUT ultrapassou a marca de 100%. "A Petrobras não gosta de limites. Sua meta é superar limites todos os dias", declarou a presidente, sublinhando a ambição da estatal. William França corroborou, afirmando que a empresa está "já com 100%, 102%, 103%", e pontuando que, em um dos dias da apresentação, a operação chegou a impressionantes 103% em suas refinarias.

É fundamental entender que a capacidade de utilização pode, de fato, exceder os 100%. William França explicou que isso é possível quando a carga de processamento supera ligeiramente a capacidade de referência, desde que haja a aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e que todos os limites de projeto, segurança, meio ambiente e qualidade dos derivados sejam rigorosamente respeitados. Essa flexibilidade controlada permite à Petrobras otimizar a produção de derivados essenciais como óleo diesel, gasolina e querosene de aviação (QAV).

Investimento e estratégia por trás dos números

A expansão do FUT é diretamente influenciada pelo ambiente geopolítico internacional. William França destacou que, como exportadora de derivados, a Petrobras se beneficia ao refinar mais petróleo. "Quanto mais refinar o nosso petróleo, mais dinheiro a gente está ganhando. Estamos agregando valor além das exportações do petróleo", afirmou. Essa estratégia não apenas gera receita adicional, mas também fortalece a posição do Brasil no mercado energético global, reduzindo a volatilidade causada por fatores externos.

O diretor também ressaltou o investimento contínuo em confiabilidade das refinarias. A Petrobras tem implementado inspeções baseadas em risco e outras ferramentas avançadas de engenharia. Isso permite que equipamentos, como bombas, operem por períodos mais longos sem a necessidade de intervenção, elevando a disponibilidade operacional das unidades. Esse foco na engenharia de manutenção tem sido crucial para a melhora do desempenho.

O papel da manutenção preditiva

A redução do tempo de intervenção nas unidades é outro fator determinante. "Bomba que operava com 70% do tempo, hoje está operando 90% do tempo antes de uma intervenção", exemplificou França. Essa eficiência na manutenção confere às refinarias uma confiabilidade maior, possibilitando que operem com cargas mais elevadas por períodos estendidos. Consequentemente, o fator de utilização se eleva, maximizando a produção de combustíveis.

O diretor de Processos Industriais e Produtos da estatal ainda explicou que o período atual tem sido de baixa nas manutenções programadas, em grande parte devido aos extensos trabalhos realizados no ano anterior. "Fizemos muita manutenção programada no ano passado para deixar as unidades prontas", descreveu. A manutenção programada visa exatamente isso: revisar e preparar as unidades para "uma campanha confiável, uma campanha de disponibilidade próxima de 100%", garantindo que as operações possam ocorrer de forma contínua e eficiente.

Refinaria Abreu e Lima como destaque operacional

A Refinaria Abreu e Lima (Rnest), localizada em Ipojuca, na região metropolitana do Recife, serve como um exemplo prático do sucesso dessas estratégias. Após passar por uma manutenção intensiva no primeiro trimestre do ano passado, a refinaria, que tem capacidade de produção de 130 mil barris por dia, agora está apta a operar em patamares superiores. "Pôde fazer uma parada muito boa e agora pode subir a carga para 140 mil, 150 mil barris por dia, porque está confiável", destacou William França.

Essa unidade atingiu um feito notável no início do mês, ao quebrar seu próprio recorde de produção de óleo diesel S-10 (combustível com menor teor de enxofre e, portanto, menos poluente). Em abril, a Rnest produziu 385 milhões de litros, superando a marca anterior de 373 milhões registrada há quase uma década, em julho de 2016. Esse dado reforça não apenas a capacidade de produção, mas também o compromisso com a oferta de combustíveis mais limpos.

A Petrobras possui 11 refinarias em seu portfólio, incluindo o Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro. A maior delas é a Refinaria de Paulínia (Replan), no interior de São Paulo, que historicamente responde por cerca de 30% de todo o refino de petróleo no Brasil, evidenciando a capilaridade e a importância da estatal na cadeia de suprimentos de combustíveis.

A superação da capacidade nominal das refinarias da Petrobras representa um marco importante para o abastecimento interno e para a economia brasileira. Ao otimizar seus ativos e investir em confiabilidade e manutenção preditiva, a estatal não só garante uma maior produção de derivados de petróleo, mas também reforça sua capacidade de agregar valor e contribuir para a estabilidade energética nacional em um cenário global desafiador. Os resultados evidenciam uma gestão focada na eficiência e na resiliência operacional, elementos cruciais para o futuro do setor no país.

Para saber mais sobre os investimentos e a atuação da Petrobras no mercado nacional e internacional, <a href="#" target="_blank" rel="noopener">clique aqui e leia também</a>.



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