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01 de July de 2026

Alpacas em Dracena: filhotes recebem cuidados intensivos e viram atração no interior de São Paulo

Presidente Prudente
30/06/2026 08:31
Redacao
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No coração do interior de São Paulo, na cidade de Dracena, uma história singular de amor e dedicação aos animais tem chamado a atenção. Um casal inovou ao trazer para o lar duas alpacas filhotes, Ester e Davi, que hoje são o centro das atenções da família e da comunidade local. Longe dos Andes, seu habitat natural, esses mamíferos sul-americanos recebem uma rotina de cuidados intensivos que transformou completamente o cotidiano dos tutores.

A iniciativa nasceu da profunda paixão de Eliete Evangelista, conhecida como Lili Pink, pelos bichos. A descoberta do universo das alpacas, mamíferos conhecidos pela docilidade e potencial terapêutico, motivou a decisão de acolher a espécie, enxergando neles não apenas pets, mas seres capazes de espalhar afeto e promover bem-estar.

Há aproximadamente dois meses, Ester e Davi foram integrados à rotina da família. Os filhotes, que vivem soltos pela residência, demandam atenção constante: recebem mamadeira seis vezes ao dia, são agasalhados em dias frios e já se tornaram celebridades locais, atraindo o interesse de moradores e visitantes na cidade paulista.

A chegada dos mamíferos andinos no lar

A relação de Lili Evangelista com os animais é de longa data e se mostra um pilar em sua vida. Ela compartilha que, em momentos de grande dificuldade pessoal, encontrou nos animais uma fonte vital de acolhimento emocional e força para superar adversidades.

Em entrevista ao g1, Lili relatou a perda do pai e, anos depois, um processo de divórcio doloroso, marcado por violência doméstica. Nesses períodos de fragilidade, a presença e o carinho de seus animais foram fundamentais para sua recuperação e resgate da perspectiva de vida.

“Eu fui vítima de violência doméstica, preenchi os cinco requisitos da Maria da Penha e já não tinha nenhuma perspectiva de vida. E foram os meus animais que me ajudaram mais uma vez”, desabafou a tutora, ressaltando o papel insubstituível que os bichos desempenharam em sua jornada.

Foi nesse contexto de busca por cura e significado que Lili começou a pesquisar sobre alpacas. A descoberta de seu potencial terapêutico e pedagógico acendeu uma nova chama, conectando sua história pessoal a um desejo maior de auxiliar outras pessoas.

“Eu falei: que tal a gente ter alpacas para espalhar amor? (…) Levar para pessoas com síndromes e espalhar amor. E é isso que está acontecendo”, disse Lili ao g1. A visibilidade dos animais já gera pedidos de famílias para visitas, especialmente de crianças, consolidando o objetivo de Lili de usar a doçura de Ester e Davi para impactar positivamente a comunidade. Leia também: <a href="#" target="_blank" rel="noopener">Veterinário resgata filhote de beija-flor, monta 'casinha' com aquecedor e faz alimentação especial para salvar ave no interior de SP</a>.

Rotina de dedicação: mamadeiras, roupas e carinho diário

A criação de alpacas exige uma rotina intensa e dedicada por parte de Lili e de seu marido, Nelson Miralhas. Como Ester e Davi ainda são filhotes, eles demandam atenção praticamente ininterrupta, com alimentação frequente e monitoramento constante, o que transforma a dinâmica familiar.

“Mudou tudo. Estou igual àquelas mães que não conseguem tomar banho, porque eles mamam seis vezes por dia”, brinca Lili, ilustrando o nível de envolvimento e as adaptações necessárias para atender às necessidades dos pequenos mamíferos.

Além da alimentação frequente, os cuidados incluem escovação diária, passeios e acompanhamento permanente, especialmente devido à sensibilidade dos filhotes às baixas temperaturas. “Eu fico pelo menos uma hora de manhã e uma hora à tarde com eles. (…) Eles são grandes, mas muito sensíveis”, afirma a criadora.

Quando o frio se intensifica, os animais chegam a usar roupas especiais para prevenir problemas respiratórios graves, como pneumonia. “Eles são muito frágeis”, comenta Lili, explicando a necessidade de medidas protetivas que muitas vezes surpreendem quem desconhece a espécie.

A própria estrutura da casa precisou ser adaptada para oferecer um ambiente seguro e confortável aos filhotes. Lili construiu um espaço específico para Ester e Davi, permitindo-lhes, no entanto, a livre circulação pela residência, integrando-os plenamente ao cotidiano familiar. Confira também: <a href="#" target="_blank" rel="noopener">Aposentado ouve cachorros latirem de madrugada e encontra onça-parda em árvore no interior de SP</a>.

Investimento e regulamentação: desafios de uma criação incomum

A crescente popularidade das alpacas nas redes sociais, impulsionada por celebridades e influenciadores, esconde a complexidade e o alto investimento que sua criação exige. Lili Evangelista enfatiza que a decisão de ter um desses animais vai muito além do apelo estético.

Segundo ela, além do valor de aquisição do próprio animal, os custos envolvem alimentação especializada, acompanhamento veterinário com profissionais que entendam a espécie, equipamentos específicos para o manejo da lã e uma estrutura física adequada para garantir seu bem-estar. “Não é só comprar o bichinho e falar: ‘Olha que fofinho’. Tem todo um investimento em volta do animal”, ressalta ao g1.

A empresária expressa também uma preocupação genuína com a popularização por modismo. “O que me preocupa é que a alpaca está super em alta, os famosos estão tendo. E, depois, o que vão fazer com eles se passar essa moda?”, questiona Lili, alertando para os riscos de abandono ou de cuidados inadequados caso o interesse diminua.

Lili reforça veementemente que a compra de alpacas deve ser realizada apenas com criadores devidamente autorizados e licenciados pelos órgãos competentes, visto que existe uma regulamentação específica para a importação e criação desses animais. A aquisição responsável é crucial para a proteção da espécie e para evitar o comércio ilegal. Sugerimos a leitura de: <a href="#" target="_blank" rel="noopener">Aos 70 anos, dentista viaja até o Himalaia para ver os 7 picos mais altos do mundo: 'A melhor das experiências'</a>.

A legislação para animais silvestres

No Brasil, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desempenha um papel fundamental na regulamentação de animais silvestres. A Portaria nº 93, de 7 de julho de 1998, por exemplo, estabelece normas para a importação e exportação de espécimes da fauna silvestre, incluindo a lista de animais que são considerados domésticos para fins de controle, o que impacta diretamente a criação de alpacas. A pesquisa e o cumprimento dessa legislação são passos indispensáveis para qualquer pessoa interessada em ter um animal exótico como pet, garantindo tanto a legalidade quanto o bem-estar da espécie.

A história de Ester e Davi em Dracena é um testemunho da capacidade dos animais de transformar vidas e da paixão humana que supera barreiras geográficas e culturais. Mais do que atrações, as alpacas se tornaram um símbolo de resiliência e amor, pontuando a importância do cuidado responsável e do respeito à vida em todas as suas formas. A família de Lili Evangelista não apenas criou um lar para esses dóceis mamíferos, mas também abriu um caminho para que o amor e a sensibilidade se espalhem pela comunidade. Para mais notícias sobre histórias inspiradoras e o mundo animal, continue acompanhando nosso portal.



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