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23 de April de 2026

A voz da diversidade: Walleria Suri em Harvard para representar grupos invisibilizados

Presidente Prudente
28/03/2026 08:31
Redacao
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No cenário global de discussões sobre o futuro e a inclusão, a presença de vozes autênticas e representativas se torna cada vez mais vital. É neste contexto que Walleria Suri Zafalon, advogada, consultora de diversidade e ativista pelos direitos humanos de Presidente Prudente (SP), alcança um palco de projeção internacional: a 12ª edição da Brazil Conference at Harvard & MIT. Sua participação não apenas celebra uma trajetória pessoal de superação, mas amplifica a urgência em discutir a diversidade, equidade e inclusão LGBTQIAPN+ e de pessoas com deficiência em ambientes de alta relevância acadêmica e social.

O evento, reconhecido por reunir mentes brilhantes e lideranças para debater os desafios do Brasil e do mundo, encontrou em Walleria uma interlocutora singular. Apesar de um imprevisto burocrático ter alterado sua participação presencial para o formato online, o convite para integrar uma roda de conversa na prestigiada Universidade de Harvard representa um marco. Ao g1, Walleria expressou a profundidade de seus sentimentos: “Esse convite foi algo que eu jamais imaginava acontecer. O convite para ocupar um espaço de tanto prestígio acadêmico, político e social me trouxe uma sensação de muito orgulho e confiança no meu trabalho, postura e posicionamentos.”

Representatividade e visibilidade

A experiência de Walleria Suri transcende o individual, ecoando as lutas de múltiplos grupos sociais. Recém-formada em direito, ela emerge como uma figura que personifica a interseccionalidade, representando duas comunidades historicamente negligenciadas: mulheres trans e pessoas com deficiência visual. “Meu sentimento é uma fusão de alegria, vaidade, gratidão, orgulho, privilégio e, principalmente, de grande responsabilidade,” declara Walleria, enfatizando o peso e a honra de sua missão.

Este reconhecimento por uma comunidade acadêmica internacional de porte como Harvard é um endosso significativo. Ele valida sua aptidão para “representar e dar voz a grupos invisibilizados, oferecendo um conteúdo consistente e responsável, que contribua para a desconstrução de estigmas e preconceitos.” A visibilidade que Walleria traz para a Brazil Conference não é apenas um feito pessoal, mas um avanço crucial na luta por uma sociedade mais justa e equitativa, onde a dignidade humana seja universalmente respeitada. Sua jornada reflete a importância de se construir pontes de entendimento e acolhimento.

Trajetória de lutas e superações

A caminhada de Walleria, ao contrário de muitas pessoas LGBTQIAPN+ que enfrentam a discriminação familiar, foi pavimentada com o apoio incondicional de sua família. Este suporte, fundamental em sua formação, permitiu que ela perseguisse seus sonhos mesmo diante de adversidades. No entanto, Walleria descreve sua vida com uma honestidade tocante: “Minha trajetória não é marcada por grandes conquistas. Sinto que sempre estou correndo atrás do prejuízo. Acredito que minha vida é marcada por dois elementos de transição muito profundos.”

Esses “elementos de transição” foram desafios transformadores. A primeira batalha foi a perda progressiva da visão, que a introduziu gradualmente no universo das pessoas com deficiência. Mais tarde, após os 30 anos, Walleria embarcou em outra transição profunda e definidora: a de gênero. “Até hoje ainda sigo tentando acomodar tudo isso numa existência que faça sentido pra mim, que represente quem eu sou e, de alguma forma, seja relevante pra esse mundo tão conflitante e cheio de intolerância contra quem não atende determinados padrões sociais,” reflete. Sua resiliência em harmonizar essas identidades múltiplas inspira e oferece um panorama sobre a complexidade da experiência humana.

O caminho da advocacia e academia

Foi após sua transição de gênero que Walleria Suri decidiu abraçar o campo do direito, uma escolha que se alinha perfeitamente com seu ativismo pelos direitos humanos. A conclusão do curso representou não apenas uma realização acadêmica, mas um triunfo pessoal e legal. “Saber que o nome Walleria Suri estará no meu diploma em direito é especial demais. Porque marca minha luta para conseguir a retificação do meu registro de nascimento, numa época em que ainda era preciso uma ação judicial com sentença deferida,” revela, sublinhando a importância simbólica de ter seu nome social reconhecido oficialmente.

Com o diploma em mãos, Walleria já traça novos horizontes. Seu plano é seguir na área acadêmica, com o objetivo de cursar um mestrado e, futuramente, atuar como professora universitária. Para realizar esse sonho profissional, ela busca vagas em universidades públicas, contando com o apoio das cotas sociais. Walleria esclarece a função essencial dessas políticas: “As cotas não garantem o meu acesso, mas asseguram que eu concorra com candidatos que enfrentam as mesmas barreiras sociais que eu enfrento. Elas tornam possível que esse sonho se realize.” Este posicionamento demonstra uma compreensão aguda sobre a equidade e a necessidade de nivelar o campo de jogo para pessoas de grupos minorizados.

Liderança feminina e o reconhecimento de gênero

Como transfeminista e anticapacitista, Walleria Suri também se posiciona firmemente sobre debates atuais de gênero e representatividade. Um dos temas mais recentes e discutidos foi a eleição da deputada federal Erika Hilton para a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher. Walleria expressa sua surpresa com a controvérsia: “Para mim não houve impacto. Uma mulher, sendo eleita por outras mulheres para representar pautas comuns a todas as mulheres. Onde está o problema? No detalhe de ser uma mulher trans e não cis? Onde está a polêmica?”

Ela desafia a lógica por trás da resistência: “Uma mulher trans não pode representar politicamente mulheres cis? Mas homens cis podem? Fazem isso o tempo todo.” Para Walleria, o cerne da discussão reside no limite do reconhecimento social do gênero de uma mulher trans. Ela defende que a liderança feminina não se define por quem reúne todas as demandas, mas sim por quem tem a aptidão para abraçá-las. A postura digna e decidida de Erika Hilton frente aos ataques, na visão de Walleria, é motivo de orgulho e um testemunho da força da representatividade. Saiba mais sobre a Brazil Conference em Harvard: [https://www.brazilconference.org/](https://www.brazilconference.org/)

A trajetória de Walleria Suri, marcada por resiliência e a busca incessante por seu lugar no mundo, culmina agora em um espaço de destaque global. Sua voz na Brazil Conference at Harvard & MIT ressoa como um potente lembrete da importância de ouvir e valorizar as narrativas de grupos invisibilizados. Ela não apenas representa, mas inspira, ao desmistificar preconceitos e provar que a diversidade é um motor para a inovação e o progresso social. Seu ativismo e sua jornada acadêmica são um farol, iluminando caminhos para a dignidade humana e a plena inclusão.

Para aprofundar-se em temas relacionados à diversidade e inclusão, leia também: [G1 Explica a transição de gênero](https://www.g1.com.br/genero-explicacao). Conheça outras histórias inspiradoras de superação e inclusão, como a de [mulher cega que se forma em massoterapia](https://www.g1.com.br/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2023/10/25/mulher-cega-se-forma-em-massoterapia-e-relata-desafio-ao-aplicar-acupuntura-achava-que-jamais-daria-conta.ghtml).



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