Família denuncia suposta negligência médica na morte de jovem por bala perdida em Araçatuba
A morte da recepcionista Natália Cristina da Cruz Miranda, de 21 anos, três meses após ser vítima de uma bala perdida em Araçatuba (SP), ganhou um novo e complexo desdobramento. A família da jovem registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil, acusando a Santa Casa de Araçatuba de suposta negligência médica, que teria contribuído para o falecimento ocorrido em uma terça-feira. Este acontecimento adiciona uma camada de dor e questionamentos a uma tragédia já instalada, levando as autoridades a uma investigação aprofundada.
O incidente original, que deixou Natália em estado gravíssimo, ocorreu durante um ataque a tiros em maio deste ano. Após um período de internação marcado por esperanças e recaídas, o pai da jovem, Alexandro Leonardo de Oliveira Miranda, decidiu levar as denúncias à esfera policial, levantando sérias preocupações sobre a conduta médica adotada durante o tratamento intensivo de sua filha. A requisição de um exame necroscópico ao Instituto Médico Legal (IML) pela polícia é o primeiro passo para elucidar as causas da morte.
Acusações de suposta negligência médica
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelo pai, Alexandro Leonardo de Oliveira Miranda, Natália Cristina chegou a apresentar sinais de melhora em determinado momento de sua internação. Contudo, a família aponta que a paciente foi submetida a uma série de cirurgias sucessivas e a suspensões abruptas de medicamentos, procedimentos que, na visão do familiar, teriam agravado severamente o quadro de saúde da jovem.
O relato detalha que, em duas ocasiões distintas, médicos teriam retirado os anticonvulsivantes da paciente de forma repentina. Essa interrupção abrupta é apontada pelo pai como a causa de 'graves' crises convulsivas, que teriam debilitado ainda mais a saúde de Natália. Alexandro expressou seu desabafo em entrevista a uma emissora local, afirmando que 'em vez de tirar os anticonvulsivantes devagar, tiraram todos de uma vez, e ela começou a ter convulsões a ponto de quase ter que fazer raio-X do braço para ver se tinha deslocado de tanta convulsão'.
O pai também questionou a realização de múltiplas cirurgias na cabeça da filha, mencionando que 'esse médico que operou cinco vezes a cabeça dela, sem a nossa autorização, operou a minha filha', indicando uma suposta falta de comunicação e consentimento em relação aos procedimentos. A busca por uma segunda opinião levou o pai a consultar um médico particular, que, segundo ele, teria corroborado a existência de equívocos na conduta médica durante o período de internação de Natália.
O posicionamento da Santa Casa
Diante das graves acusações, a Santa Casa de Araçatuba se manifestou por meio de nota enviada à TV TEM. A instituição hospitalar informou que os danos severos provocados pelo projétil, ao atravessar o cérebro da jovem, resultaram em um cenário clínico grave e instável desde o momento de sua chegada. A nota ressalta a complexidade do caso e a gravidade das lesões iniciais como fatores determinantes para o desfecho trágico da paciente.
A declaração do hospital busca contextualizar a situação, apontando para a severidade do trauma causado pela bala perdida como a principal razão para a fragilidade da saúde de Natália, sugerindo que o quadro era desafiador desde o princípio. Este posicionamento contrasta com a visão da família, que argumenta que procedimentos inadequados durante a internação podem ter exacerbado as dificuldades, levando a um resultado que poderia ter sido evitado ou amenizado.
Relembre o caso da bala perdida
A tragédia que culminou na morte de Natália Cristina teve início na madrugada do dia 17 de maio, próximo à Praça Allan Kardec, popularmente conhecida como Praças Gêmeas, no bairro Jardim Brasil, em Araçatuba. Na ocasião, Natália, que tinha 20 anos na data do crime e completou 21 durante o período de internação, estava trabalhando nas proximidades quando foi atingida por uma bala perdida em meio a um tiroteio.
As investigações iniciais apontaram que criminosos em uma motocicleta passaram pelo local efetuando disparos contra um homem de 30 anos, que possuía antecedentes criminais e veio a óbito no próprio local. Além de Natália, um jovem de 26 anos também foi atingido na perna e recebeu atendimento médico. Natália foi socorrida em estado gravíssimo e, devido à gravidade dos ferimentos cerebrais, permaneceu internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até o seu falecimento.
As investigações em curso
A Polícia Civil informou que a autoria do ataque que resultou na morte do homem e nos ferimentos de Natália e do outro jovem ainda é desconhecida. Um suspeito inicial, que havia apresentado um álibi, foi descartado pela investigação. Atualmente, as autoridades aguardam os laudos periciais de celulares apreendidos e se empenham na localização de outras testemunhas que possam ter presenciado o atentado, buscando peças-chave para desvendar o crime.
Com a denúncia da família de Natália Cristina, a investigação agora se desdobra para além da autoria do disparo fatal. O foco se amplia para a análise da conduta médica na Santa Casa de Araçatuba, com a expectativa de que o exame necroscópico requisitado ao IML possa trazer dados cruciais para determinar se houve, de fato, negligência e qual o seu possível impacto na morte da jovem. O caso segue sob investigação rigorosa, buscando respostas para as complexas questões levantadas.
A comunidade de Araçatuba e a família de Natália aguardam que a justiça seja feita em todas as esferas, seja na identificação dos responsáveis pelo crime que a vitimou, seja na apuração das responsabilidades em seu tratamento médico. Este caso, que mescla violência urbana e questionamentos sobre a assistência à saúde, ressalta a importância da transparência e do rigor nas investigações. Para mais detalhes sobre o andamento de casos semelhantes, <a href="#" target="_blank" rel="noopener">confira outras notícias sobre investigações policiais na região</a>.
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